No último dia 26, rizicultores da região protestaram, nas margens da BR-101, em Jaguaruna, contra as atuais condições da categoria.
No último dia 26, rizicultores da região protestaram, nas margens da BR-101, em Jaguaruna, contra as atuais condições da categoria.

Zahyra Mattar
Tubarão

O excesso de arroz no mercado brasileiro achata os preços pagos aos rizicultores. Ainda há estoques relativamente elevados nos armazéns do governo e do setor privado. Para completar o cenário negativo, a colheita da safra deste ano inicia no fim deste mês.

O preço da saca já caiu 8% somente nestes primeiros 40 dias do ano. Esta situação, que já começa a se tornar insustentável aos produtores, será novamente argumento para um possível novo protesto.

Representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) reúnem-se com membros da federação gaúcha, a Farsul, para definir estratégias conjuntas. “Vamos discutir alternativas para evitar mais prejuízos aos produtores rurais”, confirma o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo.

Esta semana, ele reuniu-se com lideranças do sul catarinense, capitaneadas pelo presidente do Sindicato Rural de Jaguaruna, Rui Geraldino Fernandes, e pelo presidente da Cooperativa Agropecuária de Tubarão (Copagro), Dionísio Bressan Lemos.

A importação de um milhão de toneladas de arroz dos países do Mercosul é considerada um dos mais problemáticos entraves para os produtores brasileiros. A manobra agrava a superoferta.

O problema é que o rizicultor nacional não tem como competir com os preços dos internacionais, devido ao custo elevado da produção brasileira. Além disso, a alta taxa de juros e de impostos privilegiam as importações.

Como reflexo dessa situação, o mercado paga, hoje, entre R$ 20,00 e R$ 23,00 a saca de 50 quilos de arroz, um valor abaixo do preço mínimo fixado pelo governo (R$ 25,80).

Mercado restrito
O Brasil cultiva 2,9 milhões de hectares e produz 12,6 milhões de toneladas de arroz por ano. Os dois maiores produtores são Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Juntos, representam 70% da oferta nacional do produto. O mercado da rizicultura é complicado e restrito. Os países de grande consumo (como os asiáticos) são, também, grandes produtores. São poucas as opções de transformação do arroz em outros produtos, o que limita sua industrialização.

Em Santa Catarina, esta cultura é fonte de renda de oito mil produtores. Gera mais de 50 mil empregos diretos e indiretos. O estado cultiva 150,5 mil hectares e produz 1,039 milhão de toneladas por ano em 60 municípios do sul, Vale do Itajaí e norte.

Na região, na área de atuação da Copagro, a produção representa 13% do que colhe o estado.