Tanque na comunidade de Perrixil, em Laguna, é coberto com uma espécie de gel membrana. O teste com o material tem sido promissor em impedir a proliferação do vírus da mancha branca
Tanque na comunidade de Perrixil, em Laguna, é coberto com uma espécie de gel membrana. O teste com o material tem sido promissor em impedir a proliferação do vírus da mancha branca

 

Zahyra Mattar
Laguna
 
Até 2005, Santa Catarina produzia pelo menos 4,1 mil toneladas de camarão  em cativeiro por ano. Naquele mesmo ano, o vírus da mancha branca atacou boa parte dos tanques e praticamente dizimou as fazendas do crustáceo. Cerca de 95% dos criados acumularam um prejuízo sem precedentes. Muitos ainda pagam as dívidas desta época.
 
Desde então, diversos estudos e tentativas foram feitos para retomar a produção. No momento, três estudos experimentais estão em andamento na região. Em um deles, o resultado preliminar é animador.
 
Trata-se do estudo privado feito pela empresa Natubras, de Piçarras, no norte do estado, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Em 140 dias de cultivo, em tanques na comunidade de Pescaria Brava, o vírus não atacou os camarões.
 
O experimento segue e um outro resultado, mais preciso, sai em janeiro. O outro estudo é feito na comunidade de Perrixil, encabeçado pela Epagri em Laguna com apoio da prefeitura e um empresário local.
 
O terceiro projeto, encabeçado pela prefeitura em parceria com a Udesc, está engatilhado e deverá receber recursos do Ministério da Pesca. “Serão montadas duas fazendas, uma no Parobé e outra na Caputera, com três tanques de cultivo cada”, detalha o engenheiro agrônomo da secretaria de pesca, desenvolvimento rural e aquicultura da prefeitura, Fabrício Neves da Silva.
 
Como o vírus da mancha branca ataca o solo, é testada uma cobertura diferente dos tanques, como uma gel membrana, que impede o contato da terra com os crustáceos.
 
Compare
 
Em 2005
• Santa Catarina possuía aproximadamente 117 fazendas de carcinicultura. Destas, cerca de 90% estavam na região sul: Laguna (a maioria, 66), Imbituba, Garopaba, Jaguaruna e Imaruí.
• Ao todo, 180 produtores criavam camarão em cativeiro em 1,6 mil hectares no estado.
• Juntos, produziam 4,5 mil toneladas do crustáceo por ano e rendiam R$ 40 milhões.
 
Em 2010
• Não há informação confiável de quantos carcinicultores há em Santa Catarina hoje.
• Na região, são cerca de 20 produtores divididos entre Laguna, Imbituba, Garopaba, Jaguaruna e Imaruí.
• Na primeira safra de 2010 (entre janeiro e maio), dez produtores povoaram seus tanques: oito em Laguna, um em Imbituba e outro em Garopaba.
• Não há informações de quanto foi produzido por todos, apenas a respeito dos cinco produtores da Associação Catarinense de Criadores de Camarão. Neste caso, eles obtiveram 15 toneladas de crustáceo e R$ 165 mil de giro econômico.