Zahyra Mattar
Tubarão

Os municípios da Amurel nem bem conseguiram colocar o serviço em dia por conta das chuvas, que caem sistematicamente na região, e a Defesa Civil de Santa Catarina emitiu, ontem, um novo alerta para o risco de temporais nos próximos dias. É possível que volte a chover forte na região hoje. O mar também poderá ficar muito agitado, o que torna a navegação na costa catarinense extremamente perigosa. As ondas podem passar dos 2,5 metros de altura.

Ontem, o dia já amanheceu instável na maior parte das regiões. O motivo é o deslocamento de um centro de baixa pressão sobre o estado. Como as nuvens formadas pelo sistema movem-se do oeste para o litoral, a chuva poderá amenizar a situação de várias cidades que sofrem por conta da estiagem, no oeste. Por outro lado, podem trazer ainda mais problemas para os municípios do litoral e do sul do estado.

O centro de baixa pressão pode provocar volumes elevados de chuva, com risco de alagamentos em áreas urbanas. Ainda conforme o setor de clima e previsão do tempo da Epagri/Ciram, por ser verão e tratar-se de um sistema bastante instável, poderão ocorrer temporais intensos com rajadas de vento fortes e até mesmo granizo.

Apesar da previsão não ser das melhores, a Epagri/Ciram descarta a possibilidade de ocorrer um tornado, como o registrado segunda-feira em Urussanga, na região de Criciúma. O vento chegou a 100 km/h e houve incidência de granizo. O município foi atingido em um raio de três quilômetros. Em 15 minutos, choveu 44 milímetros. Por sorte, a região do bairro São Pedro, onde se concentra a maioria das plantações de uva, não foi atingida.

Em Laguna, prejuízo chega a R$ 6 milhões
A maioria dos municípios da Amurel atingidos pelas últimas chuvas – os que registraram mais estragos foram Tubarão, Jaguaruna, Laguna e São Martinho – ainda não conseguiu efetuar o levantamento dos prejuízos. Apenas Laguna tem uma análise documental da situação da cidade, cuja prefeitura decretou situação de emergência ainda no ano passado. Os valores necessários para colocar em dia a infraestrutura afetada deverão ultrapassar a casa dos R$ 6 milhões.

Os problemas estão concentrados, principalmente, no Distrito de Ribeirão Pequeno, Mar Grosso, área central e região do Farol de Santa Marta, onde os acessos estão precários – no primeiro fim de semana deste ano, a comunidade pesqueira chegou a ficar isolada por conta da água e das condições da única estrada que leva à vila. Os principais estragos causados foram nas estradas do interior, a maioria de saibro. Na estrada da Figueira e Morro Grande, barreiras de contenção terão que ser construídas por causa dos deslizamentos que modificaram o local.

Drenagens, pavimentações e adequação das estradas de saibro estão entre as obras que devem ser realizadas. Para reforçar o pedido de ajuda e reestruturação da cidade, o prefeito de Laguna, Célio Antônio (PT), e sete vereadores irão hoje a Florianópolis reunir-se com o secretário de coordenação e articulação do estado, Valdir Cobalchini, e o presidente da SC-Parcerias, Ivo Carminati. Eles pedirão maior agilidade na liberação dos recursos, já que a demora poderá refletir diretamente sobre uma das maiores atividades econômicas da cidade: o turismo.

Outra ponte é interditada
A ponte pênsil sobre o rio Morto, ao lado do Clube São Geraldo, na comunidade da Passagem, que liga à localidade de Campestre, em Tubarão, foi interditada por falta de segurança, ontem. A manobra foi feita pela secretaria de desenvolvimento urbano da prefeitura e é por tempo indeterminado.

A ponte, avariada pela enxurrada no início deste mês, não oferecia mais segurança e, por isso, teve de ser fechada. Ainda nesta semana, o local será reformado. O trabalho incluirá o aterramento das cabeceiras, que desmoronaram com a cheia.