Amanda Menger
Tubarão

Antônio João Rodrigues trabalhou como mineiro até 1977 e contribuía como 6,5 salários mínimos. Desde que se aposentou, só viu o seu benefício diminuir. Hoje, ele recebe pouco mais que um salário mínimo. Entre os fatores que levaram à redução do valor, está o percentual atribuído pelo governo para corrigir a aposentadoria, geralmente menor do que o dado ao salário mínimo.

Na semana passada, os deputados federais decidiram adiar a votação do projeto de lei que atrela o aumento do salário mínimo às aposentadorias e pensões com valores acima do salário mínimo, concedidas pela Previdência Social. Hoje, representantes de aposentados reúnem-se em Brasília com o senador Paulo Paim (PT/RS), autor da lei, que já foi aprovada no senado, para decidir o que fazer, já que não há prazo para que o projeto volte ao plenário.

“O nosso colega João Alves foi a Brasília para acompanhar a votação e logo após o adiamento ficou combinado de realizar-se este encontro na segunda-feira (hoje). O senador encontrou-se com o pessoal que estava nas galerias da câmara e disse que temos que ficar mobilizados. Infelizmente, os deputados federais só votam este tipo de matéria, mais polêmica, quando são pressionados”, afirma Antônio, presidente do Sindicato dos Aposentados de Tubarão e Região.

O governo afirma que, se o projeto passar, o impacto na Previdência será de R$ 6,9 bilhões em 2010. O presidente da câmara, Michel Temer (PMDB), já adiantou que a prioridade é votar os projetos que regulamentam a exploração de petróleo no pré-sal, o que pode adiar a discussão da aposentadoria para o próximo ano.