Zahyra Mattar
Tubarão

Mesmo com todos os indicadores nacionais negativos, no que diz respeito à dengue, Santa Catarina ainda é o único estado onde não há presença do mosquito nem da doença. Os casos registrados são todos importados de outra regiões brasileiras. Mas este status diferenciado pode não durar muito.

“Não acredito que conseguiremos manter este status por muito mais tempo. O país inteiro está infestado. O mosquito está cada vez mais resistente a larvicidas, por exemplo. Está mais adaptado às temperaturas mais amenas. Nossa meta daqui para frente é dificultar o máximo sua instalação”, alerta o supervisor do programa de combate a dengue da 21ª regional de saúde, em Criciúma, Moacir Simas.

A preocupação dele não é por acaso e é compartilhada com as supervisoras da 20ª regional, em Tubarão, Cláudia Ochs, e da 19ª, em Laguna, Mathie Alves Rossini. Os três reuniram-se na última semana para delinear a campanha de prevenção à doença deste ano.

A guerra está declarada. Diferente dos outros anos, justamente por conta da resistência do mosquito e pelo registro de doentes já neste mês nas regiões norte e nordeste do país, o Ministério da Saúde ordenou que os agentes antecipem em quatro meses o trabalho de prevenção.

“Prevenir o surgimento da dengue é difícil porque dependemos que a população esteja consciente e também declare guerra ao mosquito. Nesta época do ano, por exemplo, a maioria esquece que aquela tampinha inocente no jardim é uma piscina de luxo para o mosquito”, lembra Cláudia.

Último foco da região foi em Imbituba

Neste ano, 167 casos de dengue já foram confirmados em Santa Catarina. Outras 28 situações são investigadas. Ao todo, foram registrados 819 focos no estado, todos isolados. Na região, o último ocorreu no fim do mês passado, em Imbituba. Uma prova de que o mosquito Aedes aegypti continua a circular e está cada vez mais resistente ao frio. “Em Imbituba, está tudo controlado. Mas é importante que as pessoas adotem as práticas preventivas durante todo o ano, não apenas no verão”, destaca a supervisora do programa de combate à dengue da 19ª gerência de saúde, Mathie Alves Rossini.

E os dados mostram que a preferência do mosquito é o lixo acumulado na casa das pessoas mesmo. Do total de focos registrados em Santa Catarina este ano, em 197 dos casos o Aedes aegypti foi encontrado em água parada em lixo, sucata ou entulho. Ainda: do total de focos, 224 foram em residências. “Por isso que trabalhamos tanto a questão da prevenção. Se a população não fizer a sua parte, não conseguiremos mais controlar a proliferação do mosquito”, destaca Mathie.