Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP / CP

O presidente dos Estados Unidos Joe Biden reforçou, em um pronunciamento, sua posição de retirada dos militares norte-americanos do Afeganistão. Durante o discurso, disse que não será o quarto presidente a cometer erros ao seguir financiando uma “guerra”. Conflito este, segundo ele, que não é do interesse dos Estados Unidos.

“Quantas gerações de filhos e filhas norte-americanos teriam que ir lutar numa guerra que o Afeganistão não quer lutar? Quantas vidas?”, disse Biden. “Eu não vou repetir o erro do passado. O erro de ficar num conflito que não é do interesse dos EUA”.

O presidente afirmou que os EUA continuarão apoiando o povo afegão por meio da diplomacia e da ajuda humanitária. “Nós falaremos no povo afegão assim como fazemos com outros países do mundo. Mas nós precisamos retirar agora os militares”, afirmou ao detalhar as ações atuais de saída de diplomatas e civis com segurança.

“Eu sei que minha decisão vai ser criticada, mas eu prefiro ser criticado pessoalmente do que ter que transmitir isso ao próximo presidente”, reforçou. Biden admitiu que o governo afegão caiu mais rápido do que se esperava. “Sempre prometi ao povo americano que seria sincero com vocês. A verdade é que isto ocorreu mais rápido do que tínhamos previsto.”

Biden destacou que em duas reuniões com o governo afegão, realizadas em junho e julho, alertou que o Afeganistão teria que estar pronto para uma guerra civil e para a necessidade de um acordo político com o Talibã. “Mas o conselho não foi ouvido, foi recusado”, disse o democrata.

Nos últimos 20 anos, o EUA gastou um trilhão de dólares para treinar 300 mil homens do exército do Afeganistão e estruturar o país com o objetivo de instaurar uma democracia.

O presidente norte-americano disse que o objetivo de Washington nunca foi construir uma nova nação democrática. “Nunca se supôs que a missão no Afeganistão fosse construir uma nação. Nosso único interesse nacional vital no Afeganistão continua sendo hoje o que sempre foi: prevenir um ataque terrorista na pátria americana”, disse Biden, acrescentando que o objetivo “continua sendo hoje e sempre foi evitar um ataque terrorista em solo americano”. Após o pronunciamento, Joe Biden retornou para sua estadia em Camp David, casa de férias dos presidentes americanos.

Nesta segunda-feira, o EUA disse só irá reconhecer um governo talibã no Afeganistão se este respeitar os direitos das mulheres e se afastar de terroristas. “Quando se trata da nossa postura em relação a qualquer futuro governo no Afeganistão, vão depender das ações deste governo. Vai depender das ações dos talibãs”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, a jornalistas.

O Talibã tomou o poder do país neste domingo 20 anos depois de ser derrubado por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por sua recusa em entregar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, após os ataques de 11 de setembro de 2001. O presidente afegão Ashraf Ghani fugiu para o exterior.

Saída dos EUA e cenas de desespero para deixar o Afeganistão

No dia 10 de agosto, Biden falou em público, para dizer que não “lamentava” sua decisão de retirar os últimos soldados americanos do Afeganistão até 31 de agosto, confiando o destino do país a um governo e aos soldados afegãos, agora derrotados.

Nesse domingo, Joe Biden autorizou o envio de mais mil soldados a Cabul, capital do Afeganistão tomada pelo Talibã. Os militares tinha o objetivo deauxiliar na retirada de milhares de civis norte-americanos e afegãos. o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, o general Kenneth McKenzie, exigiu aos funcionários talibãs em uma reunião presencial no domingo em Doha que não atacassem o aeroporto.

No entanto, centenas de afegãos se reuniram em volta do aeroporto e foram para a pista buscando embarcar em voos comerciais para fora do país. Vídeos mostram uma multidão de pessoas tentando impedir a decolagem de um avião de carga militar americano e há relatos de que vários morreram esmagados ou ao caírem depois que o avião decolou. 

*Com informações do Correio do Povo

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