Zahyra Mattar
Braço do Norte

A situação da suinocultura em Santa Catarina está por um fio. O custo da produção hoje é de R$ 270,00 para um animal de 100 quilos. Por este mesmo porco, o suinocultor não recebe mais do que R$ 180,00. Este baixo preço pago, agregado ao alto valor dos insumos e à baixa do consumo da carne no mercado interno, tem feito muito empresários do setor a repensar a atividade.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, é um exemplo. Em sua granja em Orleans, mantém 320 matrizes. Cada uma produz cerca de 24 animais por ano. São cerca de 630 abatimentos por mês.

Com os valores praticados, pelo menos 50% da produção de Losivanio é prejuízo. “Hoje, o criador de suíno paga para trabalhar. É uma crise sem precedentes e que se aprofunda a cada dia”, lamenta o presidente.
O preço do milho, o principal insumo, está em R$ 30,65 a saca de 50 quilos. No mercado interno, o consumo diminui acentuadamente. O preço pago pelo consumidor final é alto e o governo ainda não tem a resposta à pergunta mais importante: quem lucra com a atividade?

“Alguém certamente lucra. Não é o produtor, não é consumidor. No mercado, alguns cortes de carne de suíno chegam a R$ 30,00. Outros produtos derivados, como a copa, está em R$ 62,00 o quilo. É um absurdo, uma disparidade de valores imensa”, compara Losivanio.

Abertura do mercado sul africano não empolga

A abertura do mercado internacional para a compra de carne suína brasileira é vista com bons olhos pelos produtores, mas o clamor é por incentivos fiscais e equilíbrio no mercado interno, para onde é destinado pelo menos 84% da produção nacional. Ontem, o anúncio da abertura do mercado sul africano trouxe novo ânimo, mas nada que traga tranquiladade aos produtores.

“Existe certa esperança, mas não nutrimos grandes ambições. O mercado europeu abriu-se há quatro anos e até hoje não embarcamos um quilo de suíno para lá”, considera o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi.

O mesmo ocorreu com o mercado chinês e norte-americano. No primeiro, o interesse é por miúdos de suíno, um produto que não agrega pouco valor. “Os EUA são o segundo maior produtor do mundo, não vão comprar carne brasileira”, expõe Losivanio.
A grande tacada, acrescenta o presidente, era o mercado russo. Mas o país embargou a compra por questões políticas, ainda que tenha alega que as condições sanitárias do Brasil não eram mais as adequadas.

"Cada carga transporta de suínos é composta por 300 animais. Do valor total desta carga, o prejuízo é o mesmo de um carro popular usado, cerca de R$ 8 mil. Muitos empresários do setor começam a investir em outras culturas e pensam até em abandonar a suinocultura. Realmente, não há como se manter em algo que não dá lucro. É passar fome."

Losivanio Luiz de Lorenzi – Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS).