Intenção da SSP é transformar a atual unidade prisional em presídio feminino e centro de triagem.
Intenção da SSP é transformar a atual unidade prisional em presídio feminino e centro de triagem.

Carolina Carradore
Tubarão

Enfim, Tubarão ganhará um novo presídio. Mas ainda não foi decidido o que fazer com a estrutura do atual presídio. A dúvida apenas será sanada após uma audiência pública realizada pelo secretário estadual de segurança pública, Ronaldo Benedet, com a comunidade do bairro Humaitá de Cima. Se for do consentimento dos moradores, a meta é manter a unidade como presídio feminino e setor de triagem (presos de crimes com menor potencial ofensivo).

Para que isso ocorra, a secretaria terá que entrar em uma corrida contra o tempo e promover a audiência antes de março, último prazo para lançamento de editais de licitação (neste caso, a reforma do prédio), já que é ano eleitoral. “Vamos marcar o quanto antes para ouvir a comunidade, que vai definir se de fato o presídio permanece, ou não”, garantiu ontem o assessor especial de Benedet na região, Wilson da Silva.

A ideia de manter a unidade foi do delegado regional de Tubarão, Renato Poeta. A sugestão foi apresentada segunda-feira ao secretário estadual, em reunião que discutiu segurança pública, na sede da CDL, em Tubarão. No ano passado, quando foi lançado o edital de licitação para construção do novo presídio, o Notisul também levantou a mesma possibilidade. O secretário respondeu, na época, que, se a comunidade não fosse contra, o projeto seria colocado em prática.

Opiniões são divergentes

A reivindicação para a retirada do Presídio Regional de Tubarão do bairro Humaitá de Cima é antiga. Uma moradora mostra as marcas de tiros nas grades da sacada de casa, resultado de uma fuga em 1998. Ela respira aliviada ao imaginar que a unidade não abrigará mais os 280 presos, mas é a favor de que se mantenha o presídio feminino. “Se deixar poucos presos e as detentas, o perigo diminui e pelo menos vai ter policiamento na comunidade”, analisa.

A mesma opinião tem a cabeleireira Ivone da Silva, 36 anos. Apesar do medo constante em manter o salão de beleza próximo ao presídio, ela sente-se segura em saber que há policiais ao seu lado. “Manter o local com as presas seria o ideal para ter a polícia por perto”, destaca.