Brasília (DF)

Um relatório divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alerta que os preços dos alimentos no mundo devem continuar altos.

O estudo mostra que uma das conseqüências é que, pela primeira vez, o custo total de importação de alimentos globalmente deve passar de US$ 1 trilhão.
Os países de baixa renda que importam mais alimentos do que exportam serão os mais afetados, já que devem ter que pagar quase US$ 170 bilhões neste ano para importar esses produtos, um aumento de 40% em relação ao ano passado.

Segundo o relatório, embora os preços tenham caído um pouco nas últimas semanas, o aumento na demanda e a necessidade de repor estoques devem fazer com que os preços mantenham-se elevados.
“Comida não é mais um produto barato como no passado. O aumento no preço dos alimentos deve fazer com que os níveis inaceitáveis de privações sofridos por 854 milhões de pessoas piorem ainda mais”, disse o diretor-geral assistente da FAO, Hafez Ghanem.

Por outro lado, o estudo indica que também há sinais encorajadores. Os preços altos levaram a um aumento na produção de alguns alimentos e, por isso, as próximas colheitas devem ser boas. No caso do trigo, por exemplo, a FAO prevê um aumento de quase 9%.
A produção de carne deve aumentar, apesar do custo alto para alimentar animais nas fazendas. Isso porque a demanda aumenta rapidamente à medida que a renda da população em países em desenvolvimento aumenta.