#ParaTodosVerem Na foto, caminhões trafegam por uma rodovia
Em Santa Catarina, cerca de 20 mil empresas atuam na prestação do serviço de transporte rodoviário de cargas - Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil | Divulgação

O transporte rodoviário de cargas é responsável pela logística de mais de 60% de tudo o que se produz e consome no Brasil. Mais do que isso, e’o primeiro setor a ser fortemente impactado com o novo aumento dos combustíveis, anunciado pela Petrobras na sexta-feira (17) e em vigor desde este sábado (18) em todo o país. Conforme a Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), o preço maior do insumo irá refletir imediatamente no valor do frete possivelmente já a partir desta segunda-feira (20). E o efeito é em cadeia, pois com o frete mais caro, tudo o que depende do transporte rodoviário para chegar nas cidades também sobe: roupas, alimentos, insumos industriais, e assim por diante. Em nota oficial, o presidente da entidade, Dagnor Schneider, juntamente com com os 13 sindicatos filiados que compõem o Sistema Fetrancesc, repudiou os constantes aumentos do óleo diesel pela petroleira. 

“Em um momento de crise generalizada, a Petrobras e o Governo Federal deveriam ter uma preocupação maior para reduzir a inflação e equilibrar a economia e não aumentar o custo produtivo”, defende Dagnor. Segundo a Federação, de janeiro a junho deste ano o óleo diesel já teve 67% de reajuste, mais do que todo o percentual praticado de janeiro de 2021 a janeiro de 2022, que foi de 64%. “Em paralelo a isso, com o reajuste anunciado nesta semana, desde de janeiro de 2021 o óleo diesel já acumulou 174% de aumento”, anota Dagnor, ao anunciar que a medida da Petrobras impactará de imediato em uma alta de 5% a 9% nos fretes. O percentual, segundo a nota, deve ser aplicado emergencialmente e já a partir de segunda-feira (20). “As causas alegadas para mais este aumento, a guerra na Ucrânia, não justificam os novos valores. Enquanto os postos passam imediatamente a alta aos preços, as empresas de transporte não têm essa opção, os embarcadores pressionam para não ter alta e o setor acaba acumulando prejuízos”, argumenta Dagnor.

O presidente avalia ainda que a Petrobras precisa rever o conceito da política de preços da paridade internacional. “O parâmetro de reajustes deveria estar em conformidade com a moeda brasileira”, acentua. De acordo com dados do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas da NTC&Logística (Decope), o diesel é o maior componente de custos da atividade de transporte, podendo representar até 60% do valor dos fretes nas cargas lotação. Em um frete de R$ 1 mil, por exemplo, R$ 600 correspondem à despesa com óleo diesel. “Existe risco de colapso no setor do transporte rodoviário de cargas em virtude dos constantes aumentos. O transportador chegou no seu limite e está desestimulado a continuar no setor”, alerta Dagnor.

Texto: Zahyra Mattar | Notisul

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