#ParaTodosVerem Na foto, em cima de uma mesa há uma calculadora, algumas cédulas de dinheiro e uma moeda
- Foto ilustrativa: Marcello Casal Jr. | Divulgação

Em meio à escalada de preços na economia, a aplicação financeira mais tradicional dos brasileiros está batendo recorde de retiradas em 2022. Nos seis primeiros meses do ano, a população sacou R$ 50,49 bilhões a mais do que depositou na caderneta de poupança. A informação, divulgada nesta quinta-feira, é do Banco Central (BC). Este é o volume é o mais alto desde o início da série histórica, em 1995. Apenas em junho, os brasileiros sacaram R$ 3,76 bilhões a mais do que depositaram na poupança. A retirada líquida, diferença entre saques e depósitos, é a maior registrada para o mês desde 2015.

O aumento da inflação e dos juros no país estão entre as principais motivações para a retirada de valores da poupança. A alta dos preços encarece o custo de vida e faz com que os poupadores tenham que sacar parte da reserva para pagar as contas por cobrir gastos extras, como parcelas do IPTU, por exemplo. Soma-se a isso o aumento explosivo de famílias endividadas. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 77,7% das famílias fecharam abril com alguma dívida. O percentual, de acordo a entidade, é o maior da série histórica, cujo mapeamento começou em janeiro de 2010.

Em abril, a caderneta registrou retirada líquida de R$ 9,88 bilhões, o maior volume da série histórica. Em maio, a aplicação reagiu e teve captação líquida (depósitos menos saques) de R$ 3,51 bilhões, o maior valor desde 2020. No ano passado, a poupança tinha registrado retirada líquida de R$ 35,5 bilhões. A aplicação foi pressionada pelo fim do auxílio emergencial, pelos rendimentos baixos e também pelo endividamento maior dos brasileiros. A retirada líquida só não foi maior que a registrada em 2015 (R$ 53,57 bilhões) e em 2016 (R$ 40,7 bilhões). Naqueles anos, a forte crise econômica levou os brasileiros a sacarem recursos da aplicação.

Rendimento
Até recentemente, a poupança rendia 70% da Taxa Selic (juros básicos da economia). Desde dezembro do ano passado, a aplicação passou a render o equivalente à taxa referencial (TR) mais 6,17% ao ano, porque a Selic voltou a ficar acima de 8,5% ao ano. Atualmente, os juros básicos estão em 13,25% ao ano. O aumento dos juros, no entanto, foi insuficiente para fazer a poupança render mais que a inflação, provocando a fuga de alguns investidores. Nos 12 meses terminados em junho, a aplicação rendeu 5,75%, segundo o Banco Central. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor-15 (IPCA-15), que funciona como prévia da inflação oficial, atingiu 12,04%.

Fonte: Banco Central
Edição: Zahyra Mattar | Notisul

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