Imbituba

Em 28 de janeiro de 1808, uma carta régia assinada por Dom João 6º marcou a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior. Era a quebra do Pacto Colonial com Portugal, o qual restringia o comércio do Brasil Colônia apenas com a Metrópole. A data ficou marcada como Dia do Portuário, já que esta quebra do monopólio alavancou a profissão.

Em Imbituba, graças ao esforço conjunto de tantos bons profissionais que o Porto de Imbituba movimentou aproximadamente 1.874.402 toneladas de cargas no ano passado. E não é apenas o mercado econômico que aumentou, mas também a demanda por profissionais. Para acompanhar este ritmo acelerado de crescimento, o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (OGMO) pretende fazer o primeiro processo seletivo ainda no primeiro semestre deste ano.

Hoje, existem apenas 338 profissionais avulsos cadastrados na instituição. “Para atendermos a demanda em dias de pico, quando temos três navios atracados para operação, precisaríamos de pelo menos mais 200 trabalhadores cadastrados”, revela a diretora executiva do OGMO de Imbituba, Maria Zilá de Sousa Gil.

Não há mercado apenas para trabalhadores portuários avulsos (estivadores, arrumadores, conferentes, consertadores, amarradores e vigias), mas também para diversas atividades na área portuária, como técnicos em eletro-mecânica, calderaria, tornearia, conserto e manutenção de contêineres, entre outras.

O porto e seu Vicente. Seu Vicente e o porto

Desde a década de 60, Paulo Vicente Donária (foto ao lado), 65 anos, tem o Porto de Imbituba como extensão de sua própria casa. Não há quem ignore a sua companhia e muito menos a chance de um bom papo recheado de memórias. A história de seu Vicente nos últimos 44 anos confunde-se com a do porto.

“Eu nasci aqui na beira da praia. Nadava por isso aqui quando garoto e não consigo imaginar a vida longe do porto. Minha aposentadoria veio em 1991, mas não levou seis meses para que eu estivesse em atividade novamente”, valoriza seu Vicente.

Ele começou a trabalhar na Companhia Docas de Imbituba na operação de guindastes, até que em 1977 tornou-se um trabalhador portuário avulso. Como estivador, lembra dos tempos áureos do porto, quando o carvão era a força motriz de Imbituba e os subsídios governamentais garantiam a exportação e os lucros à região sul do estado.
“Trabalhávamos principalmente com carvão e açúcar. Ganhávamos muito bem nas operações. Quando houve os cortes de incentivos do governo ao carvão, a situação mudou. Não tinha mais trabalho”, relembra seu Vicente.

Carismático, o estivador vê nos investimentos feitos hoje, a retomada definitiva da profissão. “Estas novas operações com contêineres trazem esperança para todos nós”, aponta. A receita para tantos anos de trabalho? “Basta ter boa vontade para que o serviço seja bem feito e satisfaça a quem nos contratou. O mais importante de tudo, é trabalhar com amor. Amo isso aqui, chega até a me arrepiar”, valoriza seu Vicente, emocionado.