Por ser o estado com maior número de picadas de aranha no Brasil, Santa Catarina foi escolhida para receber os testes de uma pomada desenvolvida pelo Instituto Butantan (IB) contra a picada da aranha-marrom.

Segundo o último dado disponível no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, cerca de 7 mil pessoas no Brasil foram picadas pelo animal em 2016.

O produto é feito à base de tetraciclina – substância conhecida e já usada como antibiótico – a fim de resolver esses problemas.

A picada da Loxosceles pode causar lesão cutânea (80% dos casos) e também pode provocar nos outros 20% dos casos efeitos sistêmicos, como hemólise, agregação plaquetária, inflamação e falência renal, que podem levar à morte.

Em 2005, os primeiros testes começaram a serem feitos em cultura de células de pele humana, ao notarem eficácia as análises passaram a serem realizadas em animais, se estendendo até agosto de 2018.

Os coelhos tratados com tetraciclina mostraram ótimos resultados, de forma que o tamanho da lesão reduziu o tamanho da lesão em cerca de 80%, segundo a pesquisadora. Por isso, o próximo passo foi os testes clínicos em seres humanos.

A tetraciclina não passa pelas várias fases de ensaios exigidos pelos protocolos de pesquisa para a liberação de medicamentos. Isso porque, ela é uma droga já testada para várias infecções e, por isso, usada comercialmente. Dessa forma, a pomada pode ser testada diretamente em humanos.

De acordo com a pesquisa, serão tratados no total 240 pacientes, 120 com a pomada e 120 com placebo, de 61 hospitais de Santa Catarina. Até o momento, 20 pacientes já estão sendo tratados. Caso os resultados dos testes clínicos forem os esperados, a pomada poderá ir às farmácias.