Karen Novochadlo
Capivari de Baixo

O vento forte da última semana trouxe trabalho extra para alguns moradores do centro de Capivari de Baixo. Cinzas de uma antiga bacia foram levadas pela ventania a algumas casas da cidade. No Complexo Jorge Lacerda, Tractebel, a garantia é que já foram tomadas providências para que o problema não volte a ocorrer.

As cinzas são provenientes das obras de drenagem, acesso e do lago artificial do futuro do Parque Ambiental Jorge Lacerda. Para a recuperação da área, uma antiga bacia de carvão, os funcionários cobriram a terra com cinzas e em seguida com argila. Contudo, escavações no local expuseram em montes o material que havia sido aterrado.

A aposentada Maria do Carmo Silva, 73 anos, que mora próximo à empresa, reclama da poeira expelida pela usina. As marcas da sujeira estão impregnadas na casa e nas paredes brancas. A moradora conta que o vento sul piora a situação, como ocorreu na última sexta-feira. “A ventania trouxe mais sujeira”, relata Maria do Carmo.
Outra moradora, Editeh Lima da Conceição,71 anos, revela que as cinzas da usina a incomodam só nos dias de vento, principalmente nordeste. Nos outros dias, não vê problemas. Segundo ela, a situação tem melhorado nos últimos anos.

O Notisul também recebeu e-mail de protesto de um outro morador, que pedia que a empresa tome medidas para que as cinzas não voltem a incomodar a população.
Segundo a Tractebel, a situação deverá melhorar nos próximos dias.

Parque Ambiental Jorge Lacerda
Com uma área de 40 hectares, o Parque Ambiental Jorge Lacerda é construído em uma antiga bacia de cinzas. O local terá um anfiteatro, salas de aula, horto-florestal, museu ao ar livre, centro de sustentabilidade, lago artificial. No próximo ano, iniciarão as obras de construção civil no parque. E no fim de 2011, deverá ser inaugurado.

A um passo da solução

O problema de sexta-feira não deverá se repetir. É o que garante a direção da termelétrica. A empresa realizou uma reunião com os moradores sábado para explicar a situação e tomou algumas medidas. “Os funcionários passaram a espalhar as cinzas para evitar a formação de montes, que podem ser facilmente levados com o vento”, explica o gerente de geração térmica Artur Roberto Frota Ellwanger.

O material também será molhado constantemente. Três caminhões pipas foram contratados para molhar as cinzas e serão comprados seis ou sete asperssores (canhões d’água) para a irrigação. “Em algumas áreas, foi comprado mais argila para o aterro e também serão plantadas sementes de grama”, detalha Artur.

Também foi contratado um fiscal para cuidar da obra e garantir que a ‘chuva’ de cinza não se repita. A previsão é que as obras de drenagem do parque ambiental durem mais dois meses. “É uma parte pela qual temos que passar. Faremos o possível para não agredir os moradores”, explica o gerente administrativo Paulo César da Rosa. Caso algum morador volte a ter problemas deve entrar em contato com a Tractebel, pelos telefones 3621-4020 (horário comercial) ou 3621-4071 (nos fins de semana).