Nos últimos anos, diversas pesquisas e trabalhos científicos provaram que o consumo de carne, especialmente a vermelha, está relacionado ao aumento dos casos de câncer. A máxima, contudo, está sendo contestada por uma equipe de pesquisadores internacionais. De acordo com eles, não há evidências concretas de que comer carne pode aumentar as taxas de doenças cardíacas, câncer, derrame ou diabetes tipo 2.

O estudo foi feito por cientistas das universidades Dalhousie e McMaster no Canadá, bem como pelos centros de pesquisa Cochrane na Espanha e na Polônia, e publicada na revista Annals of Internal Medicine.

Ao todo, os pesquisadores revisaram 61 estudos que monitoraram a saúde de mais de quatro milhões de pessoas. Outras 12 pesquisas que tinham como metodologia mudar a dieta de cerca de 54 mil participantes. A conclusão geral dos trabalhos analisados foi a de que diminuir o consumo de carne para até três porções por semana poderia reduzir a mortalidade por câncer para sete mortes a cada mil pessoas.

Segundo eles, os resultados das pesquisas anteriores foram “de baixa qualidade” e insuficientes para determinar o papel da carne na saúde futura das pessoas. A redução da mortalidade, para os pesquisadores, foi modesta e haveria um grau “baixo” de certeza sobre as estatísticas, já que as análises foram meramente observacionais.

Por isso, não seria possível afirmar com certeza que o consumo de carne causa doenças sem levar em consideração outros fatores da vida dos indivíduos, como sedentarismo e tabagismo, por exemplo.

A partir desse resultado, um painel com 14 especialistas de sete países foi montado para informar às pessoas de que está tudo bem continuar consumindo a média anual de carne vermelha recomendada pelos órgãos de saúde.

A quantidade indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, no máximo, 70g por dia para homens e 55g para mulheres, ou 500g por semana. Em 2015, a organização classificou a carne processada como cancerígena: o consumo desse tipo de alimento elevaria risco de câncer em 18%, segundo um estudo feito pela própria OMS com a colaboração de 22 especialistas de dez países diferentes.

O objetivo do trabalho, de acordo com os cientistas, é mudar a mentalidade de que há diretrizes nutricionais gerais. O ideal, diz o trabalho, é que as pessoas se concentrem em evidências de benefícios individuais e tomem “decisões pessoais informadas”.