Resultados preliminares de uma pesquisa da Fiocruz mostram que mais de 80% dos pais querem vacinar os filhos contra a Covid-19.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) tabulam mais de 15 mil formulários colhidos pela internet para entender qual é a percepção sobre a imunização infantil.

Já entre os que hesitam, o maior índice – 16% – foi observado entre os pais de crianças de zero a quatro anos, grupo que ainda não tem a vacina aprovada.

No grupo com filhos entre 5 e 11 anos, a taxa é de 12%. Ela sobe para 14% entre os responsáveis por adolescentes acima dos 12 anos, que já têm imunizantes disponíveis nos postos de saúde.

Os entrevistados responderam à pergunta: uma vez aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), qual é a chance de você vacinar seu filho? As respostas “nada provável”, “pouco provável” e “não sei” foram consideradas como hesitação.

Essas são as estimativas iniciais da pesquisa batizada como “VacinaKids”. Os dados seguem em análise e o resultado final deve ser divulgado em breve.

A coordenadora do estudo, a médica Daniella Moore, aponta que a resistência na imunização infantil mostra ligação com informações equivocadas sobre a vacina, várias delas fake news disseminadas nas redes sociais.

“Ao contrário de outros países, em que as pessoas não se vacinam porque não querem, no Brasil, a grande maioria quer a vacina, acredita na ciência, tem uma relação de confiança com o Programa Nacional de Imunizações. A gente viu que os motivos que as pessoas estão hesitando têm alguns eixos principais que podem ser esclarecidos”, avalia.

 

Fake news afetam percepção dos pais sobre vacina
Os resultados preliminares do estudo apontam que uma das preocupações elencadas é que as vacinas seriam experimentais.

A médica Daniela Moore esclarece que os imunizantes são usados em adultos desde dezembro do ano passado e também já passaram pela fase de testes em crianças, com milhões delas vacinadas no mundo, sem efeitos adversos graves.

A pesquisadora do IFF/Fiocruz lembra que a Anvisa só aprovou o uso pediátrico após uma extensa análise de documentação. A dose infantil é diferente da usada em adultos e inclusive ganha uma embalagem diferenciada para evitar qualquer troca.

Outro ponto de hesitação apontado pelos pais é que a vacina de RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer, poderia trazer mudanças ao DNA humano.

Daniella Moore alerta que isso é impossível. Ela explica que a vacina tem apenas o papel de treinar o sistema imunológico para combater o coronavírus.

Dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou, desde o início da pandemia até 29 de novembro desse ano, 1.397 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave de crianças e adolescentes infectados pelo coronavírus e 85 por Síndrome Inflamatória Multissistêmica Associada à Covid-19.

 

Fiocruz alerta para urgência da vacinação de crianças e adolescentes
Apesar da autorização da Anvisa, o Ministério da Saúde ainda não decidiu sobre a vacinação das crianças e adolescentes e abriu uma consulta pública sobre o tema, que segue até o dia 2 de janeiro. Já no dia 4, haverá uma audiência pública.

As Sociedades Brasileiras de Imunizações, Pediatria e Infectologia defendem a imunização da faixa etária entre 5 e 11 anos, assim como a Fiocruz. A fundação divulgou um estudo que traz a aplicação das doses nas crianças como estratégia necessária para aumentar a cobertura vacinal no país.

 

Com informações da CNN Brasil e da Fiocruz

 

 

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