Amanda Menger
Tubarão

Apesar do defeso do camarão ter acabado há quase um mês (no dia 15 de novembro), é difícil encontrar os crustáceos em Laguna. E a razão é apenas uma só: as chuvas do último mês reduziram a zero o nível de sal no complexo lagunar. Com a desalinização temporária, os camarões literalmente ‘somem’.

“Estamos em uma situação muito difícil. Durante mais de três meses, os pescadores cumpriram o defeso como determina a lei, e agora não tem camarão na lagoa em decorrência das chuvas. Não sabemos como será o fim do ano para as famílias dos pescadores”, lamenta o delegado do Sindicato da Pesca (Sindipesca) na Amurel, Gilberto Fernandes da Silva.

Como o Rio Tubarão deságua na Lagoa Santo Antônio dos Anjos, em períodos de cheia do rio, o nível de sal diminui. “A lagoa é uma espécie de berçário para diversas espécies. Quando há qualquer tipo de mudança, mesmo que temporária, há um desequilíbrio, e é isso que está ocorrendo agora com o camarão”, explica o biólogo do Instituto Boto Flipper, José Antônio da Silva Santos.

Estudos apontam que são necessários 12,8 dias para que o nível de sal volte ao normal depois das chuvas. “Como a precipitação foi muito forte, não sabemos se o camarão se enterrou na lagoa ou se foi levado para alto-mar. Se ele estiver ‘escondido’, em mais alguns dias começa a reaparecer, caso contrário, a situação para o pescador fica ainda mais complicada”, avalia Gilberto.
Prevendo dias ainda mais difíceis para os pescadores, o sindicato já se mobiliza. “Falamos com o secretário de desenvolvimento regional em Laguna, Mauro Candemill, que fará os contatos com a Defesa Civil do estado para conseguirmos cestas básicas para os pescadores não passarem fome”, revela Gilberto.

Confraternização
Os pescadores reúnem-se em Laguna para uma confraternização neste domingo. A 2ª Festa do Pescador é organizada pelo Sindipesca e tem a participação de comerciantes da cidade. Será oferecido um churrasco gratuito e será cobrada apenas a bebida. O encontro ocorrerá no Clube Recreativo Atlântico.