terça-feira, 24 fevereiro , 2026

Parcela pesa mais no bolso do consumidor

Desde que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) começou a cortar a taxa básica de juros (Selic), a partir de outubro de 2016, o brasileiro que compra produtos financiados tem pagado a conta do não repasse integral da queda da Selic para a taxa ao consumidor, aponta o estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Nos cálculos da entidade, há casos em que a prestação ficou quase 15% mais cara.

A despesa maior com juros é visível nos itens de maior valor. Na compra de um veículo de R$ 30 mil, por exemplo, financiado em 42,3 meses, o comprador pagava uma prestação de R$ 960,82, levando em conta os juros médios apontados pela pesquisa do BC em abril deste ano, de 21,12%. Se o corte da taxa básica de juros tivesse sido repassado integralmente para o consumidor, a taxa seria de 11,74% ao ano e a prestação de R$ 838, nas contas da CNC. 

Com isso, quando o comprador terminar de pagar o financiamento do carro, ele terá desembolsado R$ 42.016,85. Se o empréstimo tivesse sido contraído pela taxa menor, o carro custaria R$ 36.6545,85. É uma diferença de R$ 5.370,99.

“Para o consumidor, o não repasse integral da queda dos juros básicos às taxas finais representou um maior peso na parcela mensal dos financiamentos, especialmente diante da relativa estabilidade da massa de rendimentos”, diz o economista-chefe da CNC e responsável pelos estudos, Fabio Bentes.

Spread

Para o economista, não só o repasse do corte da taxa básica de juros não foi integral para o consumidor como o spread bancário caiu menos que a Selic. O spread é a diferença entre a remuneração que o banco paga ao aplicador para captar o recurso e quanto esse banco cobra para emprestar.

Em outubro de 2016, o spread era 23,9% e terminou 2018 em 16,9%, mas voltou a subir este ano. Em abril estava 19,3%. De outubro de 2016 a dezembro de 2018, o spread caiu 41% e neste ano subiu 14%. No período todo, a queda foi de 20%. “O spread caiu menos do que a Selic (- 54,4%) no período e a gordura dos bancos aumentou”, afirma o economista.

Métricas diferentes

A Febraban, que reúne os bancos, reforça, porém, que houve redução no spread e nos juros – considerando a comparação de taxas em pontos porcentuais, metodologia usada na avaliação da entidade. Em nota, a Febraban afirma que “a queda da taxa de juros foi acompanhada da redução do spread bruto bancário”. Em abril deste ano o spread atingiu 45,8 pontos porcentuais nas operações de crédito com recursos livres para pessoa física, ante 62,3 pontos porcentuais registrados em outubro de 2016, segundo a entidade. A redução, foi de 16,5 pontos porcentuais no período.

De acordo com a Febraban, “os bancos aproveitaram a queda na taxa básica de juros para reduzir o custo do crédito ao consumidor, em alguns casos com cortes bem superiores nas taxas cobradas dos clientes”.

‘Agora a venda está péssima’

O empresário do varejo de móveis Mohamed Barakat, diz que o mercado está difícil. “Antes as vendas estavam ruins, agora estão péssimas”, afirma. Depois de ter ampliado em 7% o faturamento em 2018 em comparação com o ano anterior, ele registrou queda de 10%, de janeiro a maio deste ano. “A gente vinha com crescimento pequeno, mas neste ano vamos fechar com retração.”

Um dos fatores que explicam a reversão nos negócios é que o consumidor que comprava móveis a prazo diminui muito a sua participação nas vendas das três lojas das quais ele é sócio. Os pontos comerciais ficam na rua Teodoro Sampaio, na zona oeste da capital paulista, um tradicional corredor comercial do setor. Sob as bandeiras Kaza&Estilo;, Complemento Interiores e Mosai, cada uma é voltada para um público específico: o mais abastado, o cliente de classe média e o consumidor popular.

Segundo Barakat, hoje o público que compra móveis pede desconto e paga à vista. “O cliente que não tem dinheiro na mão para pagar à vista e quer parcelar em muitas vezes está faltando.”

Ao lado do automóveis e dos materiais de construção, o setor de móveis está no rol daqueles movidos a crédito e que estão entre os mais afetados pelo não repasse integral da taxa básica de juros para o custo do financiamento ao consumidor. Em 12 meses até março deste ano, as vendas de móveis e eletrodomésticos caíram 2,1% e poderiam ter crescido quase 1%, se o juro fosse menor. Diante da dificuldade, Barakat conta que começou a olhar para dentro da sua empresa. “Estamos indo atrás de tecnologia para cortar custos.” 

Continue lendo

Alagamentos em Tubarão atingem cinco bairros após menos de uma hora de chuva

Os alagamentos em Tubarão foram registrados na tarde desta terça-feira (24), após menos de uma hora de chuva intensa no município. Pelo menos cinco...

Pelo Estado – MPSC denuncia 18 pessoas na Operação Presságio 

 O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 18 pessoas por integrarem uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos da Secretaria Municipal de...

Cachorra enterrada viva em Joinville é resgatada e caso gera operação policial

Uma cachorra enterrada viva em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi resgatada em estado crítico no início de fevereiro. O caso, que ocorreu...

Amin leva Progressistas para chapa de João Rodrigues para eleições 2026

FOTO Divulgação Notisul Tempo de leitura: 4 minutos A possível aliança União PP PSD SC ganhou força nesta segunda-feira (23), em Florianópolis, após o senador Esperidião...

São José sedia 1ª edição do Choque Jiu-Jitsu Combat com 300 atletas

FOTOS PMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 4 minutos O Choque Jiu-Jitsu Combat São José reuniu cerca de 300 atletas das Forças de Segurança Pública e...

Museu da Baleia de Imbituba retoma horário padrão de atendimento

IMAGEM PMI Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutos O Museu da Baleia de Imbituba encerrou o horário especial de temporada no dia 21 de fevereiro...

HNSC forma 21 médicos especialistas em solenidade de Residência Médica

FOTO HNSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 5 minutos A Residência Médica HNSC Tubarão formou 21 novos especialistas em solenidade realizada na última sexta-feira (20), no...

Sombrio terá cursos de qualificação e geração de renda ao longo do ano

FOTO PMS Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutos Os cursos de qualificação em Sombrio serão ofertados ao longo de todo o ano pela Secretaria Municipal...