Depois de atingir a fiscalização das cargas nas fronteiras e nos portos do país, a greve dos servidores da Receita Federal avança e pode afetar agora os aeroportos. É o que promete a paralisação nacional da categoria que está marcada para terça-feira. Os atos que representam ao menos 1,2 milhão de servidores em todo o país reivindicam reajustes salariais em protesto ao Orçamento de 2020 que contemplou somente as carreiras policiais.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), os portos vão entrar mais fortemente nas mobilizações e há um risco iminente das ações afetarem os aeroportos, tanto no transporte de cargas quanto de passageiros.

“O desejável é não precisarmos chegar ao ponto de incomodar ainda mais a sociedade, mas isso depende do governo cumprir o que foi apalavrado ano passado, por meio de vários encontros com seus representantes, inclusive com os ministros Paulo Guedes, Ciro Nogueira e o presidente da República”, ressaltou o presidente do Sindifisco Nacional em Brasília, George Alex Lima de Souza.

A mobilização convocada pelo Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) — que representa mais de 30 entidades de classe — é considerada um termômetro para o desenrolar da crise. A expectativa do Sindifisco e do Fonacate é que a ação possa contagiar outras carreiras.

Categorias mobilizadas

Na última sexta-feira, o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasef) também decidiu participar dos atos do dia 18. Dentre os integrantes da  entidade está a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que conta com 1 milhão de servidores federais. Isso representa quase 80% de todo o funcionalismo público. No dia da paralisação, a confederação pretende entregar ao Ministério da Economia uma reivindicação de reajuste emergencial de 19,99% – o que corresponde à inflação dos três anos de governo Bolsonaro.

Os servidores do Banco Central também vão paralisar as atividades do órgão no dia 18 diante da falta de uma proposta concreta de reajuste salarial por parte do presidente da autarquia, Roberto Campos Neto.

Em nota, a entidade afirma que a expectativa é de adesão superior a 50% dos servidores, com possível suspensão do atendimento ao público, da distribuição de cédulas e moedas, da prestação de informações ao sistema financeiro e do acesso a sistemas informatizados.

De acordo com o sindicato, a paralisação será feita entre 10h e 12h, mas a prestação de serviços considerados essenciais será mantida. A expectativa é agendar uma nova reunião com Campos Neto ainda em janeiro. Se as negociações não avançarem, a categoria debaterá greve por tempo indeterminado a partir de fevereiro.

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Fonte: Correio do Povo