Amanda Menger
Laguna

Mais de 1,5 mil aposentados de diversas cidades de Santa Catarina participaram nesta sexta-feira de um protesto na BR-101, em Laguna. Eles fecharam a rodovia por cerca de 30 minutos, entre 11 horas e 11h30min, nas proximidades da ponte de Cabeçudas.

Eles reivindicam a vinculação do aumento do salário mínimo à aposentadoria. Há mais de dez anos, o reajuste é diferenciado. Neste ano, o salário mínimo foi de 12,05%, porém, para os aposentados que ganham mais do que o mínimo, foi de 5,92%.
Com esta diferenciação, ao passar dos anos, o valor da aposentadoria reduz. Este é o caso de Vitorio Wanderwegen, 63 anos, morador de Rio Negrinho, no norte do estado. Ele está aposentado desde 1996. Por mais de 20 anos, contribuiu com 4,5 salários mínimos. Mas hoje ganha 2,5 salários. A esposa, também aposentada, ganha apenas o mínimo.

“Como ela é dona de casa, paguei do meu bolso para que ela tivesse aposentadoria, porque sabia que iríamos depender apenas desse recurso”, conta Vitorio. Ele trabalhou por mais de 30 anos em fábricas de móveis. Hoje, faz pequenos bicos para complementar a renda. “Trabalho como pedreiro, como agricultor. O que vier eu faço”, afirma.
Parte da renda de Vitorio é destinada a pagar os medicamentos. “Tomo remédios para hipertensão, depressão, diabetes e para dormir. Se fosse fazer o tratamento direitinho, gastaria mais de R$ 500,00”, conta.

Os trabalhadores esperam que o protesto sensibilize os deputados federais a aprovarem o projeto de lei 01/2007, que reajusta a aposentadoria ao salário mínimo, e também o projeto de lei 4434/08, que prevê a recomposição das perdas salariais.
Com o protesto, formaram-se filas de seis quilômetros em cada um dos sentidos da rovodia. O caminhoneiro Rudimar da Silva, de Tubarão, que seguia viagem para Itajaí, não achou ruim ficar parado. “É por um bom motivo. Hoje, eles são os aposentados. Daqui mais um tempo, serei eu. A causa é justa”, avalia.

O representante comercial Alexandre Dornelles, de Caxias do Sul, saiu da cidade gaúcha às 5h30min, com a esposa, os filhos gêmeos de 2 anos e mais um cachorrinho, para passar o fim de semana em Florianópolis. Eles não gostaram do protesto. “Isso é um absurdo. O que eu tenho a ver com eles? É muito ruim ficar parado com este sol e duas crianças pequenas”, queixa-se.
Cerca de 25 policiais rodoviários federais acompanharam o protesto. O trânsito só foi normalizado depois das 14 horas de sexta-feira.