O menino de 3 anos que teve parte do pênis amputada durante uma cirurgia de fimose em Malacacheta,a 433 km de Belo Horizonte, deverá passar nas próximas semanas por exames médicos para avaliar se é possível reconstituir o órgão cortado.

O analista de crédito Albert Rocha Amaral Camargos, pai do garoto, deposita as esperanças em dois especialistas que já manifestaram interesse em avaliar o caso da criança. Um deles atende em Belo Horizonte e o outro em Salvador, capital da Bahia.

– Ainda não há nada certo. Os médicos precisam avaliar o quadro dele para ver se é possível fazer a reconstituição, mas já é uma esperança.

Parte do órgão genital do menino foi amputada durante uma cirurgia para retirada do excesso de pele do membro, no Hospital Municipal Dr. Carlos Marx, no dia 16 de setembro. A família relatou à polícia que, após a cirurgia, a criança sentia muita dor e havia sangramento.

Os pais e a avó da criança contaram que pediram esclarecimentos ao médico responsável pela cirurgia e ao hospital, mas teriam sido informados que não havia ocorrido nenhum problema. Depois disso, o pai do menino decidiu transferi-lo para outra unidade de saúde, na cidade de Teófilo Otoni, a 85 km de distância.

Dois dias depois da cirurgia, o médico Pedro Guedes Abrantes, responsável pelo procedimento, morreu vítima de um infarto, segundo a prefeitura.

Exames

Na época da cirurgia, a prefeitura informou à reportagem que estava prestando o apoio necessário à família, embora ainda não houvesse conclusão das investigações para apontar se ouve ou não a amputação.

Contudo, documentos obtidos pelo R7 mostram que especialistas do hospital para onde o menino foi levado constataram que houve “amputação parcial inadvertida do pênis”. O garoto passou por uma cirurgia de reconstituição de parte do órgão para evitar o uso de sondas para urinar. Camargos destaca que o procedimento foi bem-sucedido, mas não garante a recuperação total do membro.

— Foi uma parte muito pequena que conseguiram recuperar. Só a avaliação do especialista vai dizer o que podermos fazer agora.

O pai do menino explica que no dia 11 de novembro o garoto vai ter uma consulta com o médico que realizou o procedimento de reconstituição em Teófilo Otoni. Após o retorno, a família vai marcar os exames com os especialistas de Belo Horizonte e de Salvador.

A Prefeitura de Malacacheta informou à reportagem que se propôs a arcar com os custos de uma das viagens que for escolhida pelos pais do menor. A família diz que também vai usar os R$ 47 mil arrecadados em uma campanha virtual para ajudar no tratamento.

A Polícia Civil abriu um inquérito para identificar os possíveis responsáveis pela amputação do membro da criança. De acordo com a delegada Mariana Grossi, caso seja constatada irregularidade apenas do médico que fez a cirurgia, o caso pode ser arquivado, já que o especialista morreu.

Foto|: Reprodução / Record TV Minas