Abdallah al-Muhammad, o homem que ensinou a pequena Salwa, de 3 anos, a rir em meio aos bombardeios em Idlib, no norte da Síria, conseguiu sair do país com sua filha e agora eles estão em segurança na Turquia.

Imagens da imprensa estatal turca mostram a dupla atravessando a fronteira e brincando na província turca de Hatay.

“Agora, minha filha poderá ir à escola. Espero que o conflito na Síria possa acabar em breve e que eu possa voltar ”, acrescentou.

Moradores da província de Idlib, na Síria, Abdallah e Salwa conviviam diariamente com o barulho de mísseis e bombas disparados no conflito que se acentua na região noroeste do país.

Pai sírio finge que explosões são bombas são fogos de artifício para animar filha

Na semana passada, a criança de apenas 3 anos protagonizou um vídeo que se tornou viral. Nele, a menina era distraída pelo pai durante uma ofensiva do regime sírio contra rebeldes.

Repórter cinematográfico Abdallah explicou que tentava fazer com que a filha não tivesse medo do barulho e por isso criou a brincadeira de rir e fazer vídeos a cada vez bombardeio.

As tropas sírias avançam, desde dezembro, contra rebeldes das províncias de Idlib e Aleppo, com o apoio de aviões russos.

‘Fogos de artifício’

Abdallah disse que Salwa se assustava com barulhos muito altos e durante uma festa popular, pediu às crianças, que brincavam com fogos de artifício e bombinhas, que mostrassem que não havia perigo e que o barulho era, também, divertido.

“Eles começaram a rir e ela percebeu que tudo era uma brincadeira”, disse Muhammad. “Dois dias depois, a força aérea atacou e eu disse imediatamente para ela não se preocupar, que era apenas como as crianças detonando foguetes.”

Desde então ele continuou usando a mesma estratégia, mas disse que a filha entendia que as explosões são de mísseis, e não de fogos de artifício. O pai explicou que sempre que havia uma ofensiva aérea em sua região, levava a filha para uma área segura e a brincadeira começava.

Conflito no noroeste do país

Em dezembro, a ofensiva do regime de Damasco no noroeste da Síria alcançou um “nível terrível” e provocou a fuga de 900 mil pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Com o apoio de Moscou, do governo sírio lançou a ofensiva contra na região de Idlib, onde está o último grande reduto jihadista e rebelde.

A Guerra da Síria começou em março de 2011 com a violenta repressão do governo a manifestações pacíficas. O conflito se degenerou e, desde então, mais de 380 mil pessoas morreram.