Corpo de Gabriel Diniz chegou ao Ginásio, o Ronaldão, em João Pessoa (PB), por volta das 5h desta terça-feira (28), onde é velado pelos familiares. Pai relata os planos que filho tinha 

O corpo de Gabriel Diniz chegou ao Ginásio Poliesportivo Ronaldo Cunha Lima, o Ronaldão, em João Pessoa (PB), por volta das 5h desta terça-feira (28), onde é velado pelos familiares. Em um primeiro momento, a cerimônia ficou fechada para parentes e amigos. 

Às 8h, as portas foram abertas e o público tem a chance de se despedir do artista. O cantor morreu nessa segunda-feira (27), após o monomotor em que ele estava cair em um mangue em Sergipe.

A família do artista está no local desde as primeiras horas da manhã desta terça. O pai de Gabriel Diniz, Sicinato Francisco Diniz, disse ser difícil acreditar que a tragédia tenha acontecido. Ele contou que, em um primeiro momento, as primeiras informações sobre o acidente chegaram de forma desencontrada para a família.

No entanto, ao receber uma ligação da equipe de produção de shows, Francisco sentiu que algo grave havia acontecido. “Tive um pressentimento ruim quando meu filho ligou e falou do voo, mas não disse nada porque sabia que Gabriel faria uma brincadeira do assunto”, lembrou.

Francisco lamentou o fato de o filho não ter concluído os projetos idealizados. “Ele queria ir mais longe, ser muito conhecido. Chegar nos lugares e ser notado”, confessou. O cantor, segundo o pai, preparava um novo DVD e tinha a ideia de variar o repertório com algumas musicas românticas. No campo pessoal, planejava o casamento com Karoline Malheiros. “Já tinham até o projeto de uma casa em andamento”, completou.

Ele disse que seguiria a forma como o filho tratava os fãs e atenderia bem a todos eles. “Ele era a minha alegria. Não vou me incomodar se as pessoas demonstrarem alegria hoje porque essa era a marca do Gabriel”, afirmou.

Apesar da tragédia, o pai de Gabriel Diniz, Sicinato Francisco Diniz, disse estar se mantendo firme para dar suporte à mulher, Ana, à filha Milene e à namorada do cantor, Karoline. Seguindo o comportamento do filho, ele fez questão de atender bem aos fãs. “Não vou me incomodar se as pessoas demonstrarem alegria, essa era a marca do Gabriel”, afirmou.

Francisco revela que o último pedido de GD foi que o pai fizesse doações a duas instituições de caridade. Ainda de acordo com o pai, Gabriel não queria alarde nas doações e pediu que ele fosse às instituições de forma sigilosa. Não queria que o ato se tornasse público, para evitar viralizações. Francisco, agora, sente que tem uma missão pela frente: “Hoje eu quero fazer o melhor pra ele. O que pudemos fazer de bacana pra ele, iremos fazer”, disse.

Fila de fãs

Os fãs fizeram fila desde a madrugada e acompanharam emocionados a chegada do corpo de Gabriel Diniz. A estudante Rafaele Daura, de 30 anos, viajou 130 quilômetros, de Recife (PE) a João Pessoa, para dar adeus ao artista. Ela chegou ao local nessa segunda, às 18h30, e passou a noite em frente ao estádio. “Já chorei muito. Fechamos contrato semana passada para ele tocar na nossa formatura em 2020”.

No último dia 10, Rafaele assistiu a um show do cantor no Festeja Recife. “Ele tinha uma alegria contagiante. Onde chegava animava o ambiente”, disse ela, que já foi a sete apresentações de GD, como era chamado. “Sou fã bem antes de Jenifer, da época em que ele tinha cabelo louro”, contou.

O estudante José Wallysson saiu de Guarabira, distante 100 quilômetros de João Pessoa, onde criou o fã-clube GDnaticos. Às 20h30 dessa segunda, ele já estava na porta do estádio. “Eu vi um show dele em 2017 e me apaixonei. Cinco dias depois, tinha criado o fã-clube”, relatou.

Acidente

O avião monomotor que levava Gabriel Diniz caiu nessa segunda-feira, no povoado do Mato, em Estância (SE), sul do estado. O acidente matou também Linaldo Xavier e Abraão Farias, diretores do Aeroclube de Alagoas.

A aeronave não tinha autorização para realizar voos comerciais, de acordo uma pesquisa no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O monomotor pertencia ao Aeroclube de Alagoas, cujo dono é Denisson Eduardo De Mello Flores, e tinha permissão apenas para voos de instrução.

De acordo com a agência, o avião estava em situação regular, com Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até 2023 e Inspeção Anual de Manutenção (IAM) em dia até março de 2020. Após a tragédia, a Anac suspendeu os voos do Aeroclube de Alagoas e também abriu procedimento administrativo sobre o caso.  A Força Aérea Brasileira (FAB) vai apurar as causas da queda.

Mais vítimas

Além do responsável pelo hit do Carnaval, a tragédia matou Linaldo Xavier e Abraão Farias, diretores do Aeroclube de Alagoas. Em entrevista ao site G1, um outro diretor do aeroclube, que se identificou apenas como Roberto, confirmou ao site a identidade das vítimas: Abraão era piloto desde 2012 e Linaldo tinha três anos de experiência. Os dois eram comandantes.

“O Farias era muito amigo do Gabriel Diniz e levou o Xavier para passar o fim de semana em Salvador [BA], onde encontraram o cantor [que havia feito show em Feira de Santana] e voltariam juntos para Maceió”, afirmou Roberto em entrevista ao site.

 Foto: Brasil News