O pai, suspeito de matar uma filha de 13 anos e de tentar matar suas duas outras filhas e três filhos – com idades dos cinco aos 11 anos – com golpes de faca, e incendiar a casa em que ele morava com a família, foi denunciado pela 13ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma por seis homicídios qualificados (três feminicídios) – sendo um consumado e cinco tentados.

O acusado foi denunciado, ainda, pelo suposto crime de incêndio, também agravado pelo fato de que o alvo do fogo era uma casa habitada, onde ele morava com a adolescente e as crianças. O pai está preso preventivamente.

Os crimes ocorreram na noite de 13 de agosto deste ano. Na denúncia, que é a peça inicial de uma ação penal pública, o Ministério Público descreve os fatos e tipifica os crimes dos quais o acusado é suspeito. Naquela noite, inconformado pelo término do relacionamento com a esposa dele, o denunciado teria tentado matar a facadas suas filhas e filhos.

As vítimas – com idades de cinco, sete, oito, 10, 11 e 13 anos – estavam todas no mesmo cômodo quando o denunciado as atacou e elas tiveram poucas chances de se defender, pois foram pegas de surpresa, já que não esperavam ser agredidas pelo próprio pai, que, além disso, era bem maior e mais forte do que as crianças mais novas.

Ele só não conseguiu matá-las porque a filha mais velha foi em defesa dos irmãos e irmãs menores, colocando-se entre o pai e as crianças. Diante dessa reação, o denunciado a teria segurado pelos cabelos e a golpeado com facadas na região do tórax. Graças à intervenção da irmã mais velha, as outras duas meninas e os três meninos conseguiram reagir e escapar das agressões, correndo para fora de casa.

O pai, então, teria deixado a adolescente e tentado atrair as crianças para dentro da residência. Elas se negaram a voltar e foram buscar a ajuda de vizinhos.

O denunciado voltou para dentro de casa e teria ateado fogo à residência, iniciado o incêndio próximo ao local onde estava a filha, sem condições de fugir ou reagir.

Os laudos periciais no corpo da menina comprovaram que ela ainda estava viva quando o fogo tomou conta da casa e que ela morreu como consequência do incêndio e dos ferimentos de faca que havia sofrido.

Da análise dos fatos e das provas periciais, incluindo os laudos da necrópsia e os laudos médicos no menino ferido, a Promotora de Justiça Andréia Tonin concluiu por denunciar o suspeito pelos crimes relacionados abaixo.

Contra a filha de 13 anos: homicídio com as qualificadoras de feminicídio – por ter sido praticado contra uma vítima do sexo feminino, por razões relacionadas à sua condição feminina e dentro do contexto de relação familiar – por motivo fútil, com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e por meio cruel, pelo uso do fogo para matá-la.

Contra as outras duas filhas, de 11 e 10 anos: dois homicídios tentados qualificados como feminicídio, com uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e por motivo fútil.

Contra os três filhos de cinco, sete e oito anos de idade: três homicídios tentados qualificados por motivo fútil e uso de meios que dificultaram a defesa das vítimas.

Incêndio criminoso, com o agravante de ter sido provocado em uma residência habitada e colocando risco a outros bens móveis e imóveis próximos e à vida de outros.

 

Fonte: MPSC

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