Casal suspeito de matar a jovem Atyla Barbosa, 20, em Mongaguá, no litoral paulista, em julho, estava envolvido em uma seita satânica. A polícia suspeita que  o homem de 47 anos e a mulher de 41 anos, cometeram o crime em um ritual para resgatar o seguro de vida de R$ 260 mil. As informações são do Portal Uol.

Atyla, grávida de três meses, foi encontrada morta em uma praia de Mongaguá, litoral sul de São Paulo, pelo Corpo de Bombeiros, no dia 3 de julho. Até o início de agosto, a Polícia Civil trabalhava com a hipótese de afogamento, apresentada pelos patrões da jovem, que se diziam seus padrinhos.

Pouco mais de um mês depois do ocorrido, no entanto, a polícia tomou conhecimento de uma apólice de seguro de vida de R$ 260 mil feito em nome de Atyla cuja beneficiária era a madrinha. A jovem morava há menos de sete meses com o casal.

“Nós estamos trabalhando com indícios: tem a apólice de seguro em que a beneficiária é a madrinha, mas também achamos contas correntes, cartões de crédito e até uma empresa abertas no nome de Atyla”, revela o delegado Ruy de Matos, da Delegacia Seccional de Mongaguá. “Ela está há sete meses com um casal que nunca viu nem mais gordo, nem mais magro e já sai abrindo isso tudo? Estranho, não?”

CASAL TEVE PRISÃO TEMPORÁRIA DECRETADA

O casal teve a prisão temporária decretada na última sexta-feira (17) sob a suspeita de terem matado Atyla para ficar com o valor da apólice.

Agora, no entanto, a polícia trabalha com mais uma possibilidade. Em uma busca na casa do casal em Itanhaém, cidade vizinha ao ocorrido, agentes encontraram objetos e livros de seitas satânicas.

“A mulher diz que eles são luciferianos e iriam ofertar duas crianças a Lúcifer.”

A polícia suspeita que o feto que Atyla gestava seria o primeiro deles e que o homem que se diiza padrinho da jovem é o pai do bebê. O delegado revela ainda uma série de contradições no depoimento prestado pelo casal.

“Eles disseram que [no começo de julho] ligaram para a polícia, bombeiros, Samu, mas não ligaram para ninguém”, afirma de Matos.

POLÍCIA ENCONTROU CADERNO COM ANOTAÇÕES

Durante a revista na casa, a polícia também encontrou um caderno com anotações de como seria feito o depoimento para o boletim de ocorrência.

“Eles têm essa coisa dramatúrgica. A moça ia andar às 19h30 no meio do breu que é aquela praia, entrar na água só até a altura da canela e sumir no meio do nevoeiro? Isso não existe”, afirma o delegado.

O depoimento do casal também conflita com o da mãe de Atyla, Selmair Arruda. De acordo com ela, a jovem saiu de Aparecida de Goiânia, a mais de mil quilômetros do litoral paulista, em busca de uma nova oportunidade de emprego. Em depoimento, ela disse que estranhava as conversas que tinha com a filha pelo telefone e sentia que havia algo errado.

Agora, a polícia procura por outros possíveis beneficiários e envolvidos na apólice de seguro e nas contas e empresa abertas no nome de Atyla, além dos dois intermediários que apresentaram a jovem ao casal, um de Goiás e outro de São Paulo.

A Polícia Científica também aguarda o resultado de duas substâncias encontradas no corpo de Atyla, uma na boca, semelhante a vômito, e outra de “odor não decifrado” no estômago.

LUCIFRIANOS

O casal tem uma página aberta no Facebook em que promovem “serviços espirituais” pagos em ofertas a Lúcifer.

“Você que procura um pacto verdadeiro para uma mudança real em sua vida, realmente sabe o que quer para a sua vida, não só por riqueza mas também por libertação de espírito, com real garantia de seus objetivos, nos procure”, diz uma das mensagens.

As fotos mostram o casal com roupas, chapéu e capas pretas em meio a caveiras, bonecos em miniatura e velas pretas.