Moscou, Rússia

Os militares russos deixaram a cidade Senaki, no oeste da Geórgia, ontem, de acordo com o Ministério de Defesa da Rússia. O governo russo informou que só ocupou a região para “eliminar uma ameaça” à Ossétia do Sul, território separatista a quem é aliado.
O avanço das tropas russas a Senaki – distante tanto da Ossétia do Sul quanto de outra área separatista da Geórgia, a Abkházia – marcou a criação de uma segunda frente de batalha por parte da Rússia. Os oficiais russos, no entanto, negam ter intenção de ocupar regiões que não sejam as separatistas.

Mais cedo, a Geórgia havia denunciado a ocorrência de ataques russos também nas cidades de Gori, Zugdidi e Kurga. O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, afirmou que as tropas inimigas tinham “cortado a ligação entre o leste e o oeste do país”, e que suas tropas deviam recuar para defender a capital do país, Tbilisi.
Pela manhã, Saakashvili havia assinado uma proposta de cessar-fogo elaborada por líderes europeus e apresentado pelos ministros de relações exteriores francês, Bernard Kouchner, e finlandês, Alexander Stubb.

Porém, a proposta foi desconsiderada pelo governo russo porque a Geórgia continuava “usando força militar” na Ossétia do Sul. O conflito entre a Rússia e a Geórgia teve início na noite da última quinta-feira, quando o governo georgiano lançou um cerco à Ossétia do Sul – que proclamou independência em 1992 -, enviando tanques à região separatista na tentativa de retomar o controle do local. Em resposta, a Rússia – que apóia a Ossétia do Sul – tem bombardeado a Geórgia e realizado sobrevôos na região.

O confronto já deixou cerca de 40 mil refugiados, de acordo com a Cruz Vermelha. O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, rebateu os EUA dizendo que o apoio à Geórgia revela uma “cínica mentalidade de Guerra Fria”. Um grupo de ministros das relações exteriores dos Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Canadá – já apelaram à Rússia em um ofício para que aceite “um cessar-fogo imediato” com a Geórgia e respeite a “integridade territorial” do país, informou o Departamento de Estado dos EUA.