Jones: “O que temos hoje é uma certeza”
Jones: “O que temos hoje é uma certeza”

Braço do Norte

 
O assunto é polêmico, divide opiniões. As convicções dos espíritas sobre a vida, as formas de prevenir e os reflexos para quem comete suicídio levaram centenas de pessoas a assistirem palestras neste fim de semana em Braço do Norte e Tubarão. O médico, homeopata e psicoterapeuta com formação em terapia de regressão a vivências passadas Alberto Almeida provocou reflexões. 
 
Uma das convicções mais intrigantes é: a vida não acaba. O corpo físico falece, já o espírito, a alma, segue, e, como na Terra, sofrerá as consequências negativas ou terá uma vida melhor, com evolução contínua, de acordo com as suas ações do passado e do presente. Se é assim, para onde vão os suicidas? Para regiões inferiores, onde enfrentarão dores para começar ou continuar a expiar equívocos. Num determinado momento, auxiliados por espíritos protetores ou compulsoriamente, serão novamente levados a reencarnar para não voltar a errar. 
 
A literatura espírita, por meio da psicografia, mostra milhões de casos de quem partiu para outros planos, exemplos do pós morte ao corpo físico, a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados – vida em outros planetas – a possibilidade de comunicação com os espíritos desencarnados, mensagens positivas de quem partiu e de líderes de outras religiões, como Santo Agostinho. A crença em Deus, definido como inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, e os ensinamentos de Jesus são a base.
 
De onde surge esta convicção? “É fruto da maneira como foi alicerçada a doutrina. Antes, a questão da vida eterna era muito teórica. Agora, não é uma mera crença, é pautada na experiência, com as comunicações de quem está em outro plano. Diante desta certeza, não há como fraquejar, uma ferramenta importantíssima para o ser humano”, ressalta o presidente da 15a União Regional Espírita, Jones Elias de Oliveira.
 
Depressão é uma das principais causas
Em dez dias, em Braço do Norte, ocorreram três suicídios e uma tentativa. Quando ocorrem, as pessoas surpreendem-se por considerar que quem cometeu não tinha motivos. “Era uma médica, uma pessoa com família, recursos financeiros, juventude”, surgem observações. Muitas vezes, o suicídio é causado pela depressão, uma doença séria, que atinge milhões de pessoas. Para os espíritas, o fato gerador sempre é a questão espiritual, a bagagem, a história de vida, sentimentos de culpa, de perda. A pré-disposição genética existe pelas necessidades de expiação do ser. “Até os conceitos de saúde integral mudam com o conhecimento espírita. Um psicopata pode ter um corpo perfeito, mas é um doente.
 
Alguém que polui o planeta, alguém que briga no shopping por uma vaga de estacionamento. Vejam o quanto é desafiador. Ter saúde é ter capacidade de lidar consigo mesmo, com o próximo e com as leis de amor”, destacou Alberto Almeida em uma de suas palestras em Tubarão fim de semana. 
 
E como vencer a depressão, evitar o suicídio? Buscar ajuda médica, com psicólogos, psiquiatras, ter uma religião, independente de qual seja, buscar a laborterapia, praticar ações em instituições beneficentes, lidar com a terra, ter um animal de estimação. “Valorizar a vida, orar, procurar ajuda”, completou o médico. Em Braço do Norte, sábado à noite, a sua palestra reuniu aproximadamente 350 pessoas. Em Tubarão, sábado à tarde e domingo pela manhã, aproximadamente 450. 
 
Ciência, filosofia e religião é o tripé básico da doutrina. “O espiritismo não é a religião do futuro, mas o futuro das religiões, pois a reencarnação, a certeza da vida eterna e outros princípios serão básicos para todas”, acredita Jones Elias de Oliveira, presidente da 15a União Regional Espírita.
 
Renascer sem os braços
O médico e expositor espírita Alberto Almeida relatou casos de como podem reencarnar as pessoas que cometem suicídio. Falou de consequências. Baseado em livros psicografados e experiências próprias, já que também atua com a mediunidade. Narrou um caso citado em um dos aproximadamente 500 livros psicografados pelo conhecido médium Chico Xavier. Depois de tirar a própria vida em dez existências anteriores, um espírito foi levado a reencarnar sem os braços. Pode parecer castigo, mas para os espíritas é uma dádiva, um auxílio para que não volte a errar. “Lamentavelmente, quem comete suicídio passará por um longo sofrimento espiritual. Os resultados futuros para o corpo físico são correspondentes à lesão causada. Alguém que deu um tiro na cabeça, no ouvido, por exemplo, pode reencarnar surdo. Um tiro no peito pode resultar em problemas cardiovasculares em uma próxima encarnação. Outro que pulou de um prédio pode sofrer com alterações musculares degenerativas”, exemplificou. A literatura espírita deixa claro, porém, que nada é regra, pois as boas ações praticadas no presente resultam em alterações, para melhor, nas futuras expiações. “O amor cobre uma multidão de pecados, ensinou Jesus”, completou o médico.       
 
Saiba mais
Mais informações sobre a doutrina espírita podem ser obtidas no site da Federação Espírita Brasileira (www.febnet.org.br) e da Federação Espírita Catarinense (www.fec.org.br).