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A família de Sabrina Thomazi, de 21 anos, assassinada com um tiro na cabeça em Chapecó, autorizou nesta quarta-feira (24) a doação dos órgãos da jovem. O procedimento ocorreu no HRO (Hospital Regional do Oeste), onde Sabrina ficou internada até a última terça-feira (23), quando teve morte cerebral.

A doação do coração, fígado, rins, pâncreas e globos oculares ajudará a salvar a vida de outras sete pessoas nos estados de Santa Catarina e São Paulo.

A coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplante e do Serviço de Neurologia do HRO, Jussara de Lima, acompanhou o processo de doação e deu todo os suporte aos familiares da jovem.

Jussara explica que para um paciente ser doador de múltiplos órgãos é necessário ter uma causa neurológica definida e o diagnóstico de morte encefálica. “Após a confirmação da morte encefálica, é explicado para a família todo o protocolo e possibilitada a doação dos órgãos, ficando a cargo deles a decisão de efetuar ou não a doação”, explica Jussara.

Assim que a família autoriza, como no caso da jovem Sabrina, o SC Transplante é acionado, avalia o protocolo e procura os potenciais receptores compatíveis com o doador que estejam na fila do SNT (Sistema Nacional de Transplante).

“Um órgão só é retirado do doador quando já tiver o receptor esperando. O SNT define para aonde vão os órgãos e então é feito a retirada”, esclarece a coordenadora.

O pai de Sabrina, Diego Thomazi, relatou que a decisão de doar os órgãos foi muito difícil apesar dele e da esposa serem doadores. “Devido ao momento de dor, o coração não aceita a morte, então a decisão demorou um pouco a ser tomada. Após conversa com familiares todos incentivaram esse gesto e também era o desejo dela. A doação, de alguma forma, nos faz sentir que em um pedacinho dela continua vivo. Nos faz ter forças para seguir em frente”, disse.

Captação dos órgãos
O coração de Sabrina foi captado por uma equipe de São Paulo e os demais órgãos por uma equipe de Santa Catarina. “Os receptores e os hospitais onde serão feitos os transplantes são sigilosos, nem mesmo a família fica sabendo.”

A coordenadora explica que cada órgão doado tem um tempo máximo para ser transplantado. O coração é de 4 horas, o fígado de 6 a 8 horas, rim é de até 36 horas, porém é priorizado o prazo máximo de 24 horas, os globos oculares têm prazo de 14 dias e o pâncreas de 6 horas.

“A doação de órgãos vai além do ato mais precioso de alguém de poder definir salvar outra vida quando perde um familiar. Esse é o maior ato de amor que alguém pode ter: salvar uma vida sem conhecê-la. As famílias que doam nos relatam que essa é uma maneira de vivenciar o luto com menos sofrimento, porque sabem que o legado do seu familiar continua na vida de outras pessoas”, acrescenta Jussara.

Relembre o caso
Sabrina foi atingida por um tiro, que transfixou a cabeça, na madrugada do último sábado (20). A morte cerebral da jovem foi confirmada na terça-feira (23) e após a doação dos órgãos o velório e sepultamento de Sabrina ocorreram nesta quinta-feira (25).

Ela estava com o namorado, de 22 anos, e outras quatro pessoas em um VW/Gol branco quando o automóvel foi alvejado por cerca de oito disparos, segundo a Polícia Civil. O namorado dela também foi ferido por um tiro na barriga e outro na coxa, mas segue em recuperação, os outros ocupantes do carro não foram atingidos.

Os jovens seguiam com o carro próximo à uma concessionária quando um veículo de cor cinza se aproximou e alguém disparou várias vezes. A motivação para os tiros segue em investigação pela DIC (Divisão de Investigação Criminal).

Vagner Tiago Ramos Papini, delegado da DIC, informou que um Inquérito Policial foi instaurado estão sendo realizadas buscas de imagens de câmeras de monitoramento que possam ter flagrado o crime. Testemunhas também estão sendo ouvidas pela polícia.

Com informações de ND Online