#Pracegover Foto: na imagem há uma mulher de tranças, unhas vermelhas e roupa preta
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Após muitas batalhas enfrentadas, com olhar atento e empoderamento de seus direitos, a moradora de Capivari de Baixo, Pethyne Alves Ouriques, a Pethyne Noir, de 26 anos, que é mulher trans, tem transcendido derrubado barreiras rumo a uma trajetória que usa a educação para alçar voos altos e ocupar espaços estratégicos na sociedade. Ela almejava cursar uma graduação e ao que parece esta aspiração se tornou uma realidade recentemente.

Ela conta que por meio de suas redes sociais conversou com a gestora da Universidade Unicesumar do Polo de Capivari de Baixo, Andreia Vieira, e explanou sobre a falta de oportunidade e acesso aos cursos de ensino superior as pessoas LGBTQUIA. “Conversamos em uma das minhas lives, onde falava que o nosso município poderia dar oportunidade a LGBTQUIA no mercado de trabalho, pois nunca fomos valorizadas, no entanto, não só nossa classe, mas todos os cidadãos da cidade”, pontuou.

De acordo com Pethyne, a gestora educacional simpatizou com a ideia de imediato de poder colaborar com o sonho de uma profissão por meio do nível superior. “Ela é educadora e diretora do Colégio Múltipla Escolha há 21 anos. E vem contribuindo, apoiando a todos os Jovens e adultos para dar continuidade nos seus estudos. E com a educação superior, Andrea não foi diferente. Mencionei que meu grande sonho era fazer uma graduação, pois meu caminho sempre foi árduo e muito dificultoso para entrar no ramo de trabalho”, afirmou.

A agora estudante conta, que a gestora não mediu esforços e colaborou com a sua aspiração com apenas uma frase. ‘Pethyne, Deus não faz acepção de pessoas. Suas leis são justas e imparciais, sem fazer distinções injustas (Romanos 3:23-24)’. “No dia seguinte já estava matriculada em pedagogia. Fiquei muito feliz, pois quem iria realizar este sonho? A Andrea sempre deu apoio para os jovens e adultos por meio da educação e das palavras de incentivo, nunca saiu uma pessoa de seu colégio desmotivada e sem receber ajuda”,observou.

Pethyne assegura que em um cenário a cada dia mais disputado, conseguir um lugar no mercado de trabalho é o sonho de muitos brasileiros. “Um curso de graduação pode ser o grande diferencial que irá alavancar a sua carreira. Afinal de contas, uma empresa com bons cargos e bons salários normalmente tem como um dos pré-requisitos básicos um diploma de curso superior. Ter uma formação não é uma garantia de um bom emprego, mas é um grande primeiro passo. Isso sem contar com todo o aprofundamento teórico que acontece no período”, finalizou.

A V Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural de Estudantes de Graduação, publicada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2018, aponta que apenas 0,2% dos alunos e alunas das Instituições Federais de Ensino Superior são trans. Essa equação de exclusão escolar, afinal mais do que abandonarem as escolas, as pessoas trans são impulsionadas para fora por conta da violência que sofrem  somada à falta de oportunidades e ao preconceito