Beatriz Juncklaus
TUBARÃO

O dia 13 de dezembro de 2014 era um sábado como outro qualquer para Gabriela Graciano Kraieski, a Gabi, que na época tinha 22 anos. Ela estava trabalhando como garçonete em um evento juntamente com o esposo Glauco em um clube de Tubarão. O que ela não sabia era que tudo iria mudar em fração de segundos, com a explosão de um rechaud (fogareiro colocado embaixo de travessas). Ela e o marido estavam próximos ao aparelho e os dois foram tomados pelas chamas.
Gabriela conta que tudo aconteceu muito rapidamente.

Com o corpo em chamas, ela saiu correndo e acreditou que não ia sobreviver. Em muitos momentos ela perdeu a consciência e, quando o socorro chegou, conseguiu escutar o marido falando: “Salvem a minha esposa primeiro”. Essa seria a última vez que Gabriela escutaria Glauco. Ele faleceu uma semana após o acidente, no hospital. Gabriela permaneceu internada em estado grave por um mês e meio, e apenas depois de dois meses, quando já estava no quarto, é que descobriu a morte do marido.

 Ela foi transferida para Florianópolis, onde ainda faz visitas frequentes para realizar procedimentos de enxertos de pele. De acordo com os médicos, Gabriela ainda tem mais uns três anos de cirurgias reparadoras pela frente. Só depois é que vai ser liberada para fazer plásticas. Mas ela já percebe o longo caminho que percorreu. Logo após o acidente, não andava, não conseguia movimentar os braços e sentia muita coceira por causa da cicatrização. Hoje, apesar das dores, já possui mais mobilidade. Após o acidente, o peito e o pescoço dela estavam grudados.

Rede de solidariedade e esperança
Quando estava internada, as orações e as ajudas vieram de todos os lados: de familiares, médicos, enfermeiros, amigos, vizinhos e até mesmo de pessoas que ela não conhecia. Foram dezenas de doações. Uma corrente de oração foi feita por Gabriela e Glauco. Hoje, os desconhecidos que ajudaram viraram amigos. Segundo a irmã de Gabriela, Suellen, que esteve com a jovem durante todo o tratamento, o acidente reaproximou a família e a fez acreditar na vida. “Os médicos diziam que minha irmã tinha 1% de chance de sobreviver. Quando ela saiu da UTI, os médicos e enfermeiros choraram e aplaudiram. A Gabi sempre foi muito delicada, mas ela me ensinou a ser muito forte.”

Olhares curiosos

As marcas da vitória de Gabriela atraem olhares curiosos por onde ela passa. Ela conta que muitas vezes não se incomoda com os comentários das pessoas, mas tudo depende de como são feitos. “Uma vez encontrei uma mulher, que eu não conhecia, no supermercado. Ela disse para mim ‘antes tu eras como uma boneca, e olha como tu ficaste agora’.” Quando situações como essa ocorrem ela é confortada pelo filho mais novo, que sempre tem uma frase para animar a mãe. “Ele sempre diz que eu continuo linda. Enquanto eu estava me recuperando, ele me ajudava, me incentivava e queria me alimentar.”

Renascimento

Antes do acidente, Gabriela estava fazendo curso de cabeleireira e havia começado a montar um salão de beleza em casa. Hoje, ela não pode mais chegar perto de produtos químicos e tem dificuldade nos movimentos dos braços. Sempre muito vaidosa, ela viu os longos cabelos terem que ser cortados e a pele ser cicatrizada aos poucos. Marcas de um dia que mudou a sua vida. Foram dezenas de cirurgias, internações e enxertos de pele nestes últimos três anos. Gabriela ainda tem um caminho longo pela frente, mas acredita que renasceu depois do acidente. “No início eu não entendia o motivo disso ter acontecido comigo. Hoje eu entendo que quando a gente nasce já tem uma missão. Se Deus me deixou aqui é porque tenho um próposito a cumprir”, fala, emocionada.