Quatro dias após vazamentos de mensagens trocadas entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, quando juiz federal, e integrantes da Operação Lava Jato, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou em público pela primeira vez sobre o caso e disse que o trabalho de Moro “não tem preço”. “O que ele fez não tem preço. Ele realmente botou para fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção”, declarou.

“A Petrobras quase quebrou, fundos de pensão, muitos quebraram. O próprio BNDES, falei agora há pouco aqui, nessa época 400 e poucos bilhões de reais entregues para companheiros comunistas e para amigos do rei aqui dentro. Ele faz parte da história do Brasil”, disse em evento de lançamento de uma linha de crédito do BNDES para organizações filantrópicas. Antes de ser convidado para assumir o Ministério da Justiça, Moro era juiz federal em Curitiba e responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância.

As conversas publicadas pelo “The Intercept Brasil” no último domingo mostram que o então magistrado Moro orientou investigações e estabeleceu diálogos com os procuradores, comportamento vetado pela Constituição. O conteúdo das mensagens vazadas pode colocar em xeque a isenção de Moro no caso. Hoje, Bolsonaro defendeu que ninguém forjou provas. “Normal é conversa com doleiro, com bandidos, com corruptos. Isso é normal? Nós estamos unidos do lado de cá para derrotar isso daí. Ninguém forjou provas nessa questão lá da condenação do Lula”, afirmou.

Foto: Alan Santos/PR