Carolina Carradore
Tubarão

Próximo a uma árvore, um grupo de adolescentes conversa tranquilamente, enquanto espera a saída dos alunos de um colégio. A cena pode parecer comum, mas preocupa pais, professores e moradores das redondezas. Na verdade, os ‘amigos’ são usuários de drogas, alguns até mesmo traficantes. Esta já é a realidade de muitas escolas de Tubarão.

Os sinais mostram que o crack tenta atravessar o muro das escolas e, consequentemente, tira a tranquilidade dos moradores e educadores. Em um colégio municipal (o nome será mantido em sigilo), professores e diretores não sabem mais o que fazer. A sociedade de um clube de futebol abandonada dá lugar a usuários de crack das mais variadas idades. O problema é visível quando toca o sinal anunciando o fim da aula. Os estudantes estão vulneráveis. A situação é tão preocupante que a direção da escola preferiu o silêncio, com medo de represálias.

“Observamos com frequência alguns alunos ‘chapados’ e já flagramos o uso de droga no banheiro. Estamos desesperados”, revelou um professor. Em outro colégio, situado em uma área de risco da cidade, os jovens usam a escola para se drogar fora do horário de aula, durante a madrugada. Quem passa pelo local de manhã observa no chão, por exemplo, muitas pontas de cigarros de maconha.

vMedidas do Conselho
Municipal de Segurança
• Instalação do Conseg Mirim; • Reforçar escolas de pais; • Trabalhar e avaliar atitudes; • Visitar a Secretaria de Assistência Social da prefeitura para discutir programa habitacional; • Oferecimento de curso para pedreiro através do Centro de Referência e Assistência Social (Cras) do Morrotes.

Reuniões discutem situação

O consumo de drogas próximo às escolas já chegou ao conhecimento da equipe da secretaria de educação da prefeitura. O secretário José Santos Nunes realiza, desde semana passada, reuniões com diretores, professores, pais de alunos, Conselho Tutelar, Polícia Militar, entre outras entidades. O objetivo é promover ações que coíbem o consumo de entorpecentes e criar atividades de prevenção. “Estamos pedindo mais policiamento próximo às escolas e medidas de prevenção, semelhante ao Proerd. Sabemos que a situação é grave, isso ocorre próximo de todas as escolas da cidade”, lamenta o secretário.

Medidas que podem amenizar a situação…

Algumas ações definidas há alguns dias pelo Conselho Municipal de Segurança podem amenizar situações de insegurança nas proximidades das escolas afetadas pela droga.
A princípio, medidas serão tomadas nos bairros onde é registrado um número maior de ocorrências policiais: Jardim Floresta, conhecido como Área Verde, Fábio Silva, no Beco da Valdete, e Morrotes, na comunidade do Beco do Quilinho.

Nestes lugares, serão lançados programas como “Criar Laços” e ‘Realizar Sonho”, ambos promovidos por funcionários e alunos da Unisul.
Outro projeto é a criação de áreas de lazer no bairro e melhorar os pátios das próprias escolas dos bairros citados para lazer e horta e mapeamento para aproveitar áreas verdes do bairro.

Loja foi arrombada quatro vezes

O tráfico de drogas descarado em certos bairros da cidade causa pânico entre os moradores. No bairro Recife, só este ano, um estabelecimento comercial foi arrombado quatro vezes. “Tenho certeza que são usuários que furtam os produtos para trocar por drogas”, frisa o proprietário.

Nem mesmo o alarme intimidou a ação dos ladrões, que chegavam a usar arames por baixo da porta para alcançar os objetos. A dor de cabeça é tanta que a família pensa em fechar a loja, vender a casa e ir para outro lugar. “Chega perto das 18 horas e já vejo gente traficando na frente da loja. Fecho o comércio antes com medo deles”, conta. “Gosto de caminhar no início da noite, mas nem isso faço mais, tamanho é o medo que tenho”, lamenta.

Um outro comerciante do bairro confirma a denúncia do colega. Vítima de assalto este ano, ele não teme apenas os prejuízos materiais, mas colocar em risco a sua vida e a de funcionários. “Quero sair daqui, vejo gente fumar crack até durante o dia. Precisamos de policiamento urgente”, alerta.