Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que uma em cada três crianças está acima do peso no Brasil e que 9,53% dos adolescentes são obesos. Esta situação tende a se agravar diante da pandemia da covid-19 determinado pelo isolamento social.

Falar de obesidade infantil e na adolescência é um assunto muito amplo, particularmente quando se lida com a ansiedade, especialmente agora com o isolamento social, ressalta a nutricionista do Centro Médico Unimed, Talita Medeiros Collaço. “Comer mais e muito não é só um problema para quem tem obesidade, vale para todas as crianças e adolescentes”, acentua.

A nutricionista acrescenta que neste período em que as aulas estão suspensas e eles estão também em quarentena, ficando mais tempo em casa, acabam tendo uma tendência de alteração na rotina. O que tem se observado, segundo ela, é que as crianças e adolescentes estão indo dormir mais tarde e também acordando mais tarde, fazendo os estudos on-line mas sem uma frequência de rotina específica.

“A minha orientação é, primeiro de tudo, estabelecer rotinas. Mesmo em tempo de isolamento se deve fixar horário para dormir, para acordar, para fazer as refeições e lanches. Muitas crianças e adolescentes ficam com avôs, tios ou cuidadores em função de que os pais têm que sair para trabalhar e mesmo os que ficam em casa com os pais, o que se percebe é o livre acesso aos alimentos e, em muitos casos, com guloseimas e outros itens industrializados e comendo ao longo do dia ou passando longos períodos sem se alimentar e depois exagerando”, comenta.

Após estabelecer as rotinas, a orientação da nutricionista Talita é não ter em casa alimentos como guloseimas, procurando ter alimentos mais saudáveis, integrais, variedade em frutas e verduras. Neste caso, segundo ela, a rotina familiar tem que ser estabelecida. “Não adianta criar um horário se os pais e demais integrantes da família não mantenham também a rotina estabelecida. É importante que toda a família participe deste processo e tenha hábitos alimentares saudáveis”, orienta.

Ela diz que a rigidez da semana pode dar uma trégua no final de semana em se consumir outros alimentos, mas também sem exageros e evitando muitos produtos industrializados que são ricos em sódio, conservantes e açúcar.

 

Números

Em todo o mundo, inclusive no Brasil, a obesidade infantil é um dos principais fatores que põe em risco o futuro das crianças e um dos mais urgentes desafios a serem enfrentados pelo poder público e pela sociedade em geral.

Os dados sobre obesidade infantil são tão alarmantes que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. Os registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que uma em cada grupo de três crianças, com idade entre cinco e nove anos, está acima do peso no País.

As notificações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, de 2019, revelam que 16,33% das crianças brasileiras entre cinco e dez anos estão com sobrepeso; 9,38% com obesidade e 5,22% com obesidade grave. Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso; 9,53% são obesos e 3,98% têm obesidade grave.

 

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