Durante o período mais quente e mais chuvoso do ano cresce o número de acidentes por animais peçonhentos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Isso porque o aumento da temperatura favorece a reprodução destes bichos.

Conforme monitoramento da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC), por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, em 2020 foram notificados 6.582 acidentes por animais peçonhentos no Estado.

A maioria desses casos foi motivado por aranhas (4.404), seguido de abelhas (697), serpentes (696), escorpiões (339) e lagartas (218). Nesse ano, até o momento, foram registrados 5.490 acidentes.

Entre os meses de dezembro de 2020 a março de 2021, período mais quente, foram notificados 2.880 acidentes por animais peçonhentos, o que representa mais de 40% do total de notificações do ano de 2021.

E as aranhas também são os principais bichos a causar acidentes: já são 3.644 casos desta natureza no Estado. Na sequência estão os ataques por serpentes (573), abelha (501), escorpião (290) e lagarta (244). Outros 63 casos não têm identificação do animal peçonhento que causou o acidente.

“No verão as pessoas fazem mais atividades ao ar livre, como ir à praia e fazer trilhas, aproveitam também para realizar a limpeza de habitações, quintais e terrenos. E isso coincide com o período em que há deslocamento dos animais peçonhentos para alimentação e reprodução”, explica Alexandra Schlickmann Pereira, médica veterinária da DIVE/SC.

Nas regiões onde há enchentes o potencial de acidentes é ainda maior, pois os animais são obrigados a deixar seu habitat em busca de um novo local, refugiando-se, muitas vezes, dentro das casas.

 

O que fazer em caso de acidentes

  • Manter a vítima calma e deitada;
  • Tentar manter a área afetada no mesmo nível do coração ou, se possível, abaixo dele;
  • Evitar que a vítima se movimente para não favorecer a absorção do veneno;
  • Localizar a marca da mordedura e limpar o local com água e sabão;
  • Cobrir com um pano limpo;
  • Remover anéis, pulseiras e outros objetos que possam garrotear (apertar a circulação), em caso de inchaço do membro afetado;
  • Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para receber o tratamento necessário;
  • Se possível, levar uma foto do animal ou apresentar o máximo de características possíveis para que seja identificado e para que a vítima receba o soro específico.

O que não fazer em casos de acidente

  • Não fazer torniquete – isso impede a circulação do sangue e pode causar gangrena ou necrose local;
  • Não cortar o local da ferida para fazer ‘sangria’;
  • Não aplicar folhas, pó de café ou terra sobre a ferida, pois poderá provocar infecção.

Como evitar acidentes

  • Usar botas se for fazer trilhas ou entrar em locais com mato alto. Isto evita até 80% dos acidentes durante o corte de vegetação, por exemplo, pois as cobras picam do joelho para baixo. Porém, antes de calçar as botas, verifique se não há aranhas, escorpiões ou outros animais peçonhentos na parte interna.
  • Proteger as mãos: não coloque as mãos em frestas, tocas, cupinzeiros, ocos de troncos, etc. Use um pedaço de madeira para verificar se não há animais nesses locais.
  • Acabar com os ratos: a maioria das cobras alimenta-se de roedores. Por isso, mantenha sempre limpos os terrenos, quintais e plantações evita atrair esses predadores.
  • Conservar o meio ambiente: os desmatamentos e queimadas, além de destruírem a natureza, provocam mudanças de hábitos dos animais, que se refugiam em celeiros ou mesmo dentro de casas. Evite matar os animais, pois eles contribuem para o equilíbrio ecológico.

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