Wagner da Silva
Braço do Norte

A nova gripe (H1N1), que se popularizou com o nome inadequado de gripe suína, deixou a população mundial em pânico. O principal receio está no consumo de carne de porco. O reflexo nas exportações e mercados internos, de vários países, foi em cascata. O presidente regional da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Adir Engel, lamenta como a informação foi disseminada e acredita que, pelo próximo mês, o mercado segue cauteloso em relação a este tipo de influenza.
Por outro lado, Engel salienta que o Brasil possui uma das melhores condições sanitárias do mundo e o consumo de carne suína não é forma de transmissão do vírus. “Se analisarmos as questões de segurança e sanidade do rebanho brasileiro e catarinense, as pessoas compreenderiam melhor que a disseminação da gripe A não tem a ver com o consumo da carne”, descreve.

Segundo o presidente regional da entidade, o fato é que a falta de esclarecimento rápido, quando os casos começaram a se multiplicar pelo mundo, começa a prejudicar a classe produtora, inclusive no Vale”, pontua Engel. Apesar disso, ele acrescenta ainda que não houve queda na produção e comercialização de carne suína na região. “As vendas comprovam isto. Não há promoção da carne, a comercialização é feita normalmente”, avalia.
A afirmação do presidente é observada também nos mercados e açougues. Em um estabelecimento comercial de Braço do Norte, por exemplo, o chefe do açougue José Carlos Soethe garante que não houve diminuição na venda do produto. “A carne suína tem a mesma saída de antes da gripe”, atesta.

Porém, ao contrário das palavras do presidente, o produtor e diretor do núcleo da ACCS em São Ludgero, Edílson Heidemann, garante que houve diminuição de aproximadamente 20% na venda. “A queda é acentuada, a situação voltará ao normal aos poucos”, acredita Heidemann. A esperança é que o governo brasileiro trabalhe com maior intensidade as condições sanitárias dos rebanhos brasileiros para promover o consumo e as exportações.
O diretor lembra que o país garantiu certificação pela Organização Mundial de Saúde Animal de área livre de febre aftosa no ano passado. “Temos que valorizar nosso produto. Foram anos de trabalho e devemos explorar isso e colher os frutos destas ações”, incentiva.