Tatiana Dornelles
Tubarão

O nível do rio Tubarão não pára de subir. Vários pontos da cidade estão alagados e a preocupação é que as águas cheguem a 5,70 metros acima do normal, deixando todo o município debaixo d’água. A suposta cena acima já foi real em 1974, quando 199 pessoas morreram e milhares ficaram desabrigadas.
Há cerca de 15 dias, uma nova ameaça: as chuvas que não cessavam fizeram com que o rio subisse 4,70 metros acima do normal. Algumas cidades do norte do estado, como Blumenau e Itajaí, foram completamente tomadas pelas águas. Os prejuízos imensos e as perdas, irreparáveis.

Agora, se novamente houvesse uma ameaça de enchente em Tubarão, você estaria preparado? Saberia para onde ir? O que levar? O que fazer? Pois é. Poucas pessoas sabem realmente o que deve ser feito num momento como este. Assim como também não estão preparadas para outras catástrofes, como tornados, ciclones, deslizamentos, black-out, entre outros.

“O Brasil não está preparado para catástrofes. Os tubaronenses, que já passaram por uma enchente em 1974, também não. Isso é reflexo da falta de uma Defesa Civil articulada. Ela não atua em todas as fases das catástrofes. Ou seja, é preciso planejar, trabalhar com hipóteses e buscar respostas para alertar a população para que as perdas sejam menores. Precisa enfrentar o problema para minimizar os danos e ter capacidade de uma recuperação bem organizada”, considera o comandante do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Tubarão, major Carlos Moisés da Silva.

Segundo ele, em uma nova enchente, com a tecnologia existente hoje e com todas as possibilidades de monitoramento do tempo, nenhuma morte poderia ocorrer. “Com toda a tecnologia e com planejamento e organização, a Defesa Civil tem condições de alertar as comunidades para tomar medidas, até mesmo de proteção do patrimônio, e para que nenhuma vida se perca. Não justifica morrer ninguém”, enfatiza o major.

Como alertar a população tubaronense?

No fim de semana em que o rio Tubarão chegou a 4,70 metros acima do normal, há cerca de 15 dias, o telefone do Corpo de Bombeiros não parava de tocar. Na maioria dos casos era para saber como estava o nível do rio.
“Nestes momentos o telefone do Corpo de Bombeiros não pára, muitas pessoas ligam, mas não é toda a cidade. Temos quase 100 mil habitantes e grande parte não sabe o que ocorre. Então, como alertar todos em caso de enchente?”, indaga o comandante do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Tubarão, major Carlos Moisés da Silva.

Segundo ele, uma saída para avisar a população seria um sistema de mensagem na telefonia fixa e móvel para emitir alertas do grau de periculosidade do rio. “Seria uma ligação automática, não para causar pânico, mas para alertas. E atingiria quase 100% da população. A partir deste momento, as rádios voltariam suas programações para falar sobre a situação do rio e os pontos de refúgio para as pessoas irem com segurança aos abrigos”, explica Moisés.

Nos abrigos, supõe o major, líderes seriam eleitos previamente para coordenar e delegar tarefas a outras pessoas, que ficariam responsáveis pela alimentação, por decidir onde preparar a comida, o que usar. “Neste abrigo, as necessidades básicas do ser humano devem ser sanadas. Se houver falhas, surge o caos social. Além disso, é necessário realizar treinamento com a população. Uma comunidade bem treinada estabelece níveis de alerta e, dependendo do tipo, sabe o que fazer e para onde ir”, afirma.

Cidade não está preparada para catástrofes

Pode parecer mentira, mas Tubarão já passou por enchente, tornado, ciclone, deslizamento. Para nenhum dos desastres naturais, a cidade estava completamente preparada. E a região também não. E é esse um dos papéis da Defesa Civil: simular todas as hipóteses possíveis que possam ocorrer numa cidade, inclusive black-out, grande desastre com mortes, entre outros, para buscar as respostas necessárias para proteger a população.

“Estamos despreparados para tudo isso. É preciso um envolvimento comunitário da Defesa Civil, uma integração. Há um decreto – 3.570, de 18 de dezembro de 1998 -, que cria as Coordenadorias Regionais de Defesa Civil (Coredec). Uma delas tem sede em Tubarão e sua abrangência coincide com as cidades da Amurel. Estas coordenadorias regionais e as Comissões Municipais de Defesa Civil (Comdec) deveriam ser atuantes e efetivar ações. A Coredec deveria estar funcionando e proponho-me a colocar um bombeiro à disposição”, argumenta o comandante do 8º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Tubarão, major Carlos Moisés da Silva.

Além disso, ressalta ele, não adianta apenas Tubarão preocupar-se com estas situações. Outros municípios também devem pensar nisso. “Hoje, há cidades mais preparadas e menos preparados para catástrofes, o que as torna inseguras. Para exemplificar: ninguém duvida que a segurança ambiental do ar respirável de Capivari de Baixo não interessa somente a Capivari, mas a todos os outros municípios. O mesmo ocorre com desastres”.