As cinzas têm um ph próximo ao do neutro
As cinzas têm um ph próximo ao do neutro

Zahyra Mattar
Tubarão

 Não, seu carro não vai desintegrar por causa da cinza do vulcão chileno. Você também não vai ter queimaduras de “20º graus” por conta da chuva ácida. As águas de rios e lagoas não serão contaminadas. Tubarão não vai virar um deserto.
Sim, as informações que ‘rolam’ pela internet são assustadoras, mas na maioria trata-se de “notícias” inventadas por mentes muito férteis. O Notisul recebeu muitos telefonemas e-mails, ontem, de leitores com medo do que poderiam provocar as cinzas que precipitaram na Grande Tubarão.
 
Claro que as pessoas que já sofrem de asama, rinite, bronquite e enfisema são afetadas por conta da poeira, mas não há possibilidade de terem a doença agravada por conta das cinzas. Também não existe possibilidade de formação de chuva ácida.
 
O Centro Tecnológico da Unisul, de Tubarão, coletou material e fez a análise do pH das cinzas. O resultado foi 6, um valor muito próximo do considerado neutro (7).
“Sabemos que o material possui enxofre. Acredito que venha daí a questão da chuva ácida. Mas neste caso isto é muito pouco provável, porque a quantidade é muito baixa”, explica a engenheira química do centro Tecnológico, Márcia Luzia Michels.
 
O grupo da universidade também analisará a presença de metais pesados nas cinzas, como chumbo, cádmio, mercúrio e arsênio, por exemplo. O resultado será divulgado nos próximos dias.
 
 
Lavações lotadas em Tubarão
 
Karen Novochadlo
Tubarão
 
O movimento de clientes na lavação La Bamba, na Vila Moema, em Tubarão, foi grande ontem. Os funcionários não pararam um minuto sequer. O mesmo ocorreu com a filial no Farol shopping e muitas outras lavações. E tantos automóveis sujos têm uma explicação: as cinzas do vulcão chileno Puyehue circularam ontem e terça-feira sobre a região. 
“Alguns clientes relataram que, quando passaram água sobre o veículo e não encerararam, algumas manchas apareceram”, relata o proprietário Oswaldo Debiasi. 

Quanto a possíveis problemas nos carros, não é necessário se preocupar. O chefe de oficina Rosinei Mendes Antunes, da Unitá Fiat, garante que as cinzas não causam nenhum problema no automóvel. “O carro já está preparado para as mais diversas situações, como asfalto ou estradas de chão batido. Estas últimas levantam mais poeira do que a quantidade de cinzas que tem”, explica Marcelo Do Carmo, gerente de assistência técnica da Unitá Fiat.  
Duas peças no veículo são fundamentais para a proteção contra a poeira. Uma é o filtro de ar, que protege o motor do carro. A segunda é o filtro de pólen, que serve para “limpar” o ar-condicionado. Estas peças têm uma vida útil de 15 mil quilômetros e devem ser trocadas periodicamente para não causar prejuízo a saúde ou ao bolso do consumidor.
 
Quando a cinza vai embora?
Até amanhã, é possível que as cinzas ainda precipitem em Santa Catarina. Mas a incidência será bem menor do que o observado terça-feira. Ontem, o céu nublado na região foi remetido automaticamente às cinzas.
Contudo, o material estava em suspensão, ou seja, de passagem em boa parte do dia. Houve pouca precipitação de partículas.
“Grande parte do material já se dissipou para o oceano, mas é possível que ainda caia um pouco de fuligem, especialmente nas cidades litorâneas”, afirma o meteorologista Clóvis Corrêa, da Epagri/Ciram.