Uma moradora de uma pequena aldeia em Burkina Faso, na África, foi apedrejada por conta de um tumor gigante no rosto. Os vizinhos acreditavam que a condição de saúde era causada por uma possessão demoníaca. Pascaline Patienda, 23 anos, convivia com o tumor desde os 15 anos de idade.

O raro tumor não-cancerígeno, chamado ameloblastoma, ocupava grande parte do rosto da moça, afetando sua mandíbula e dentes. Pascaline não possuía recursos financeiros para arcar com o tratamento do tumor, mas foi ajudada por voluntários da ONG espanhola Amor en Accio. Ela nunca havia ido a um médico na vida.

Os voluntários conseguiram uma parceria com o hospital Vithas Valencia 9 Octubre, na Espanha, cuja direção concordou em fazer a operação de 40 mil euros (algo em torno de R$ 186.400) gratuitamente. A cirurgia, feita em setembro, foi financiada pela Fundação Vithas, pelo hospital e pela ONG.

Em entrevista ao Central European News (CEN), Ignacio Solis, cirurgião que atuou no caso de Patienda, disse que a moça estava sendo excluída da comunidade em que vivia, sendo constantemente alvo de xingamentos e pedradas. “Acreditava-se que ela estava possuída por algo maligno, o problema não era apenas uma questão física”, comentou.

Após retirar o tumor, a equipe médica reconstruiu o rosto da paciente com um pedaço da fíbula, um longo osso localizado na perna. Os médicos retiraram o material ósseo da perna de Patienda e incorporaram ao rosto, anexando artérias e veias para manter o suprimento sanguíneo. Depois, realizaram implantes dentários e cobriram o rosto da jovem com um pedaço de sua própria pele.

Um ameloblastoma é um tumor benigno de crescimento lento que começa na mandíbula, normalmente ao redor do dente do siso. Pode afetar a fala e a mastigação. O tratamento é cirúrgico, no qual os médicos removem o tumor e os tecidos adjacentes, para impedir o crescimento de novos tumores. Caso todo o tecido afetado não seja removido, o problema reaparece em até 72% dos casos.

O tumor é raro: apenas 1% dos tumores bucais são ameloblastomas. Em casos extremos, o crescimento também pode afetar o nariz, seios nasais e órbitas oculares. A mandíbula inferior é atingida em 80% dos casos. Em menos de 2% das incidências, os tumores podem se tornar cancerosos e se espalhar, principalmente, para os pulmões.