A desigualdade de gênero entre homens e mulheres persiste no país, especialmente no mercado de trabalho e na representação política. Essa é uma das principais conclusões do estudo “Indicadores sociais das mulheres no Brasil”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado nesta quarta-feira, véspera do Dia da Mulher, celebrado neste dia 8. A diferença é grande ainda em cargos gerenciais, tanto no público, como privado. Em 2016, 62,2% das funções eram ocupadas por homens e apenas 37,8% pelas mulheres. 

Ao mesmo tempo, a média dos rendimentos mensais reforça a desigualdade dos gêneros. Por exemplo, as mulheres ganham quase 1/4 a menos do que os homens. Assim, as mulheres recebem R$ 1.764, e os homens, R$ 2.306.

Aquele conceito ultrapassado de que o lugar de mulher é cuidando da casa, ainda está presente na pesquisa, quando se compara o tempo dedicado aos cuidados de pessoas ou aos afazeres domésticos. Enquanto que as mulheres destinam 18,1 horas semanais para essas atividades, os homens ficam o período de 10,5, uma diferença de 73%. Segundo a pesquisa, esse indicador pode estar diretamente ligado à presença delas no mercado de trabalho.  

Percentual inferior na vida pública 

Apesar da existência de cota mínima (30%) de candidaturas de cada sexo em eleições proporcionais, o percentual de mulheres na vída pública ainda é inferior. Em 2017, as mulheres eram apenas 10,5% dos deputados federais em exercício, com uma proporção de 10,5%, sendo a mais baixa da América do Sul.

A média mundial de deputadas é 23,6%. Já na esfera estadual e distrital, 26,4% dos policiais civis e 9,8% dos policiais militares eram mulheres. Além disso, apenas 7,9% dos municípios brasileiros contavam com delegacia especializada no atendimento à mulher, em dado referente a 2014.