Há cerca de seis meses, um bode invadiu a casa de Silvana Cordeiro, moradora de Caraguatatuba (SP), no litoral paulista. Ela tomou um susto ao encontrar o animal escondido em seu banheiro. Deu comida para o bichinho e no dia seguinte conseguiu localizar seu dono, um produtor rural, devolvendo o bode.

No entanto, para sua surpresa, o animal fugiu e retornou à sua residência. “Postei em um grupo no Facebook e minha vizinha localizou o dono do bode. Um homem simples, humilde, da roça, quando chegou no meu portão disse na maior naturalidade: ‘matei o outro e só não matei esse ainda porque está magro, mas vou engordar para vender a carne’”, relata Silvana.

O homem tentou levar o bode novamente, mas o animal se recusava a sair dali. “Ele não queria morrer e eu não podia deixar. Então, decidi comprar”.

Estudante de educação física e mãe de seis filhos, Silvana enfrentou há pouco tempo um câncer no ovário, que agora está em fase de remissão. Ela conta ter pegado o dinheiro que estava guardando para comprar uma peruca que usaria em sua formatura e comprou o animal.

“Ele disse que queria R$ 250, mas eu só tinha 180. Sugeri parcelar, ele aceitou. Logo termino de pagar o bodinho”, afirma. Silvana batizou o bode de “Meia-Noite” – uma referência ao horário em que ele apareceu em sua casa.

Bode da sorte

Com a ampla repercussão da história, ela recebeu a doação de várias perucas. “Estou muito feliz, ele me trouxe sorte! O bode não queria morrer, eu lutei tanto pra não morrer, não é justo deixá-lo morrer assim”, disse emocionada.

Silvana recebeu o apoio da família e diz que pretende adaptar sua casa para Meia-Noite, que já fez amizade com seus gatos e cachorros. “Estou pesquisando o que ele come, como dorme, qual é o melhor local para deixar ele confortável. Ele é uma benção.”

Fotos: Arquivo pessoal