Brasília (DF)

Em entrevista coletiva ontem, a ministra da secretaria especial de políticas de promoção da igualdade racial, Matilde Ribeiro, anunciou a sua demissão. Antes do anúncio, ela esteve reunida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. “Assumo o erro no uso do cartão. Fatos que me levaram à escolha (de usar o cartão) partiram da necessidade de deslocamento e hospedagem”, disse a ministra. “Quanto ao uso do cartão, reitero que se trata de erro administrativo que pode e deve ser corrigido”.

Matilde relatou que passou a usar o cartão aconselhada por assessores, a partir de julho de 2006, devido às “dificuldades com deslocamento e hospedagem fora de Brasília”. E que dois assessores diretamente envolvidos no caso foram exonerados. “Este erro não foi cometido exclusivamente por mim, então, o tratamento será coletivo”, afirmou aos jornalistas.
No ano passado, Matilde gastou R$ 171 mil no cartão durante viagens de trabalho, com diárias, aluguel de carros, hospedagem, compra em loja livre de taxas de importação em aeroporto.

O maior gasto durante as viagens foi para pagar aluguel de carros: 94 dessas operações somaram R$ 118.683,17, para deslocamentos dentro de cidades, regiões metropolitanas e comunidades quilombolas. Mesmo com o pedido de desligamento da ministra, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) mantém a intenção de criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar eventuais abusos em gastos com cartões corporativos por autoridades públicas.

Ele argumenta que o foco da CPMI é apurar os gastos desde 2002, quando foi criado o cartão corporativo. O senador Álvaro Dias (PR) quer primeiro receber informações sobre os gastos do cartão da presidência da República Em 18 dias, os gastos somaram R$ 1,8 milhão.