Representantes de movimentos sindicais, sociais e religiosos se manifestam contra as propostas do presidente Michel Temer (PMDB), como a liberação da terceirização, reformas da Previdência e Trabalhista

Tubarão

Hoje, deve ser um dia histórico no país, quando milhões ameaçam “cruzar os braços”, quase 100 anos após a primeira greve geral da história do Brasil, em julho de 1917. O movimento é uma resposta ao pacote de medidas lançadas pelo governo de Michel Temer (PMDB), com especial foco na reforma Trabalhista e da Previdência.
Durante a semana, dezenas de categorias mostraram seu apoio ao movimento em todos os cantos do país, como os movimentos sociais, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e igrejas de várias denominações.
Representantes de 21 categorias que aderiram à paralisação se reuniram no Sindicato dos Professores e Auxiliares de Administração Escolar de Tubarão (Sinpaaet), no bairro Dehon, para discutir as ações. O grupo definiu que em Tubarão, o movimento inicia hoje a partir das 6h30min e segue durante todo o dia. Todas as cidades da região terão alguma manifestação. O aconselhado é que as pessoas continuem em seus municípios e lá promovam alguma ação para o dia. As escolas municipais e estaduais, agências bancárias e INSS devem ficar fechadas. Milhares de manifestantes são esperados na Cidade Azul.
Conforme a presidente do Sinpaaet, Gisele Vargas, a reforma Trabalhista não rasga a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas reescreve. “Com o negociado sobre o legislado, o empregado estará vulnerável. Não terão parâmetros, os direitos serão reduzidos. Todos ficarão a mercê das negociações do ponto de vista do empregador”, explica a presidente.

Sindicalistas chamam a população às ruas
Representantes de movimentos sindicais, sociais e das igrejas salientam que a greve é geral e não há políticos para defenderem, mas os trabalhadores e a sociedade brasileira. “Estão querendo distorcer o movimento, não estamos nesta luta para defender políticos e sim para lutar pelos nossos direitos. Não há direita ou esquerda há uma batalha para não sermos roubados”, garantiram.
Eles destacam que se a reforma Trabalhista passar, em breve será possível uma disputa entre avós, filhos e netos por uma vaga no mercado de trabalho. “A violência vai aumentar drasticamente, se já estamos vivendo tempos difíceis à situação deverá piorar. São muitos retrocessos, além de que no futuro as empresas terão mão-de-obra cansada, uma vez que a expectativa de vida cresce o tempo de trabalho também aumenta”, destacam.
Os manifestantes lembraram que todos estão convidados a participarem do movimento, estudantes, donas de casas e trabalhadores em geral. “As pessoas que foram às ruas e bateram panelas em outras manifestações também podem juntar-se a nós. Agora é a hora de bater panelas, não podemos sofrer um novo golpe como o do ano passado”, enfatizam.

Reforma trabalhista é aprovada
O texto base da reforma trabalhista foi aprovado na quarta-feira depois de mais de 10 horas de discussões, rejeição de requerimentos e obstrução da oposição. Ao fim da votação, 296 deputados federais aprovaram a proposta e 177 foram contra. Além do texto principal, há 17 destaques apresentados pelos partidos que ainda serão analisados. O texto do relator Rogério Marinho (PSDB-RN), que substituiu o enviado pelo governo, altera mais de 100 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e cria ao menos duas modalidades de contratação: a de trabalho intermitente, por jornada ou hora de serviço, e o chamado teletrabalho, que regulamenta o “home office”.