Tatiana Dornelles
Tubarão

O sinal bate para o recreio e a fila se forma. É o momento de alimentar-se para enfrentar mais algumas horinhas de aula. Sopa, arroz, feijão, cachorro-quente, bolo de chocolate, suco, saladas, carne e galinha, entre outros alimentos feitos pelas merendeiras, fazem parte dos cardápios nas escolas.
Agora, o governo estadual pretende terceirizar a merenda escolar, o que gera dúvidas e receios nos profissionais de educação e na comunidade escolar. Os serviços serão terceirizados em três etapas: 10% este ano, 50% em 2009; e 100% em 2010.

O argumento da secretaria estadual de educação (SED) é que, com a terceirização, a escola poderá desenvolver o papel a que é destinada: promover o ensino público. “Hoje, muitas ações referentes à alimentação escolar são dos gestores, que têm mais trabalho do que deveriam. Além disso, a merenda tem que ser administrada por quem entende e sabe lidar com alimentos. Este projeto é pensado há mais de um ano e baseado no de São Paulo”, explica a diretora de valorização ao educando da SED, Rogéria Diegoli.

Mas, além dos prós, há os contras. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) do estado, Danilo Ledra, a terceirização pode acarretar em demissões das merendeiras e custo elevado ao governo. “Há o risco de demissão destas profissionais, o que desrespeita a relação com a comunidade escolar. Além disso, a empresa privada não vai comprar os produtos dos agricultores da região e terá lucro em cima do espaço público”, considera Danilo.

Segundo ele, o Sinte pretende entrar, em breve, com uma ação na justiça para tentar impedir o processo de terceirização. “O governo do estado tem que optar por custos mais baixos e não é o que ocorrerá com a terceirização. Acho possível reverter a situação e faremos mobilizações com as merendeiras, agricultores, entre outros”, ressalta.

Rogéria, entretanto, garante que as merendeiras não serão demitidas. “Atualmente, a Associação de Pais e Professores (APP) da escola contrata as merendeiras. Com a terceirização, elas serão admitidas pela empresa privada. Há ainda uma cláusula que obriga a empresa a comprar 30% dos alimentos na agricultura familiar da região”, acrescenta.