Já está em vigor uma medida que visa restringir o oferecimento de crédito consignado a idosos que acabaram de começar a receber o benefício da aposentadoria. A instrução normativa 100 do INSS proíbe qualquer tentativa de oferecer esse tipo de crédito nos primeiros seis meses de benefício.

A decisão é importante, já que se tem tornado comum o aliciamento desde o primeiro dia que se começa a receber o benefício, prejudicando muito a saúde financeira dessa parcela da população. Com a economia estagnada e a alto desemprego, essa opção de crédito se torna cada vez mais sedutora, já que tem taxas menores, pois são descontadas diretamente do recebimento da aposentadoria.

“Quanto mais fácil o empréstimo, mais o brasileiro se endivida e o consignado é exatamente isso. A instituição financeira sabe que irá receber o pagamento do empréstimo e ganhar uma taxa de juros fácil em cima do cliente. Isso é péssimo para os aposentados, que, muitas vezes, se endividam para ajudar seus familiares, mas são eles que acabam passando necessidade no fim da vida”, diz o financista Fabrizio Gueratto.

Mordida

O limite para esse tipo de crédito é de 30% do valor total da aposentadoria, o que pode limitar muito o poder de compra e complicar bastante as contas da família. O serviço de proteção ao crédito estima que 5,5 milhões de aposentados tem dívidas e que desses, 32% seriam incapazes de quitá-las.

Com o desemprego da população jovem em alta, muitos daqueles que recebem a aposentadoria são também responsáveis pelas contas da família. Além disso, muitos familiares com o nome sujo aproveitam desta vantagem dos idosos muitas vezes para comprarem itens que não são de necessidade básica, como um telefone celular, por exemplo.

“Pegar crédito já é um erro. Pegar crédito para o consumo é um erro duas vezes pior”, finaliza Gueratto.