Vereador Israel de Souza (PMDB) cogita abrir CPI para investigar falta de atendimento na instituição. Associação de médicos reivindicam pagamentos atrasados. Caso não sejam atendidos, devem solicitar afastamento da escala de sobreaviso, o que pode paralisar os serviços de urgência da unidade hospitalar.

Jaguaruna

Um embate nas redes sociais está dando o que falar. Na última sexta-feira, o vereador Israel de Souza (PMDB), de Braço do Norte, denunciou em sua página do Facebook um suposto descaso no atendimento à população no Hospital Santa Teresinha. Em um post intitulado “Fim da Linha”, o vereador relata a situação precária no atendimento por parte dos profissionais de saúde, e cita depoimentos de pessoas que reclamaram dos serviços nos últimos dias.

A publicação recebeu muitos comentários de apoio e reforço nas reclamações. Israel ainda detalha o relato de uma ex-atendente do HST, que revelou o descaso por parte dos médicos. “Trabalhei três meses na recepção e não aguentei a pressão! Sabe porquê? Porque não aguentei a injustiça de ver pais com filhos nos braços ardendo em febre esperando horas e horas. Enquanto eu sabia que lá dentro tinha um médico no seu quartinho particular dormindo ou mexendo no seu celular enquanto pessoas estavam ali precisando de atendimento”, afirma a ex-funcionária.

O vereador ainda detalha que entrou em contato com os secretários de Saúde de Braço do Norte, Grão-Pará e São Ludgero confirmando o pagamento do repasse mensal à instituição de saúde que atende a região do Vale.

As denúncias feitas pelo legislador chamou a atenção da população e dos médicos que produziram uma carta aberta e publicaram na página da Associação dos Médicos do Hospital Santa Teresinha.

Médicos esclarecem situação via carta aberta
Em resposta às denúncias feitas em rede social pelo vereador Israel de Souza (PMDB), a Associação dos Médicos do Hospital Santa Teresinha se manifestou por meio de carta aberta direcionada ao edil com esclarecimentos sobre a situação da instituição. “O nobre vereador, antes de fazer postagens nas redes sociais, tinha obrigação de saber que o município de Braço do Norte não conta com prontoatendimento de especialidades médicas ou clínica que o faça, a exemplo dos demais municípios da região do Vale”, relata a carta.

A associação informa que os médicos do sobreaviso do setor de urgência não recebem os valores correspondentes ao trabalho prestado há mais de quatro meses. “O valor pago a título de sobreaviso deve ser de no mínimo 1/3 da hora de plantão, que hoje deveria corresponder a algo em torno de R$ 40,00, mas o Hospital Santa Teresinha repassa o valor de R$ 12,50 por hora. O município de Rio Fortuna deve mais de R$ 180 mil ao Hospital Santa Teresinha referente ao sobreaviso.

E está em execução um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) na Comarca de Braço do Norte cobrando justamente valores atrasados do sobreaviso por parte de alguns municípios do Vale”, pontua.

CPI poderá ser criada na Câmara para investigar o caso
Diante das denúncias da comunidade sobre o suposto ‘mau atendimento’ no hospital, o vereador Israel de Souza (PMDB) afirma que pretende instalar uma CPI na Câmara para apurar os fatos. “Falei com as secretárias de Saúde de Braço do Norte e de Grão-Pará, todos os municípios do Vale estão em dia com o hospital, estamos pensando em abrir uma CPI, pois segundo denúncias, há médico dormindo durante o plantão”, acusa. A associação respondeu a proposta na rede social. “Está sendo veiculado pela imprensa local que existe a possibilidade de instauração de uma CPI para apuração dos fatos narrados pelo vereador Israel de Souza, com a qual desde já concordam a maioria dos médicos do corpo clínico e do plantão da emergência do Hospital Santa Teresinha, onde, se houver trabalho sério, certamente se chegará ao verdadeiro “culpado” ou “culpados”, conclusão que não aparenta ser de grande complexidade, já que todos os problemas decorrem da falta de gestão eficiente do erário”, pontuam os médicos.

Médicos podem pedir afastamento da escala de sobreaviso
Ao final da carta aberta, a associação reivindica o pagamento dos vencimentos atrasados. Segundo o advogado da entidade, Fabricio Benedet, caso as reivindicações não sejam atendidas nos próximos dias, há grande probabilidade de que a maioria dos médicos que prestam sobreaviso no Hospital Santa Teresinha solicite seu afastamento da escala concedendo prazo de 45 dias para que o município e a administração do Hospital Santa Teresinha providenciem a contratação de novos profissionais para a cobertura das escalas. “Caso contrário, inevitavelmente ocorrerá, em curto prazo, a paralisação dos serviços de atendimento de urgência, já que estes dependem da existência de uma retaguarda de sobreaviso”, alerta.