Semanalmente, o saguão do Hospital São José, em Criciúma, no Sul catarinense, se transforma em palco para o pneumologista Albino José Souza Filho, que toca piano de forma voluntária. Pelos corredores, o ecoar do som emociona pacientes, familiares e funcionários.

Mesmo debilitado pela quimioterapia, Leandro Neves faz questão de acompanhar a apresentação.

“Acalma a alma, fica mais tranquilo, parece que o dia passa mais rápido, aí muda bastante, é bem gostoso, é bem legal. É sofrido ficar aqui sem nada, daí assim parece que anima, fica mais divertido. Não tem explicação, é gostoso”, explica.

Albino, tem mais de 50 anos de profissão, e foi um dos primeiros clínicos gerais a trabalhar no hospital. O primeiro especialista em pneumologia de Santa Catarina.

“Em casa minha mãe, que tem muito espírito artístico, tocava piano, aprendeu depois de casada e gostava de ensinar todos os filhos, que tinham que sentar na bancada para tocar piano. Eu toco de ouvido”, afirma Albino.

O piano não estava sendo usado e o médico resolveu fazer o conserto do instrumento. Depois de oito meses de reformas, que foram concluídas no ano passado, foi que surgiu a ideia de tocar no hospital.

O médico nem marca consulta na sexta-feira, pois considera que é dia de musicoterapia.

“A música é um calmante natural, ela tira o estresse, a pessoa fica mais feliz, o estado de espírito fica outro. […] O homem é um ser musical”, disse.

Além dos belos arranjos, as músicas levam carinho, ânimo e muita esperança aos pacientes.

“É uma profissão dedicada ao outro, então se você puder fazer um bem maior, além do tratamento, além do bom atendimento, de conversar, também elevar o espírito da pessoa, tranquilizar a pessoa com a música”, afirma.