Rafael Andrade

Criciúma

“O pico se aproxima, e é para a próxima semana. O fim de semana está chegando e a tendência é a gente colocar mais pessoas no respirador no fim de semana, estou com uma no respirador, outra beirando, daí fico com dois pacientes na UTI”, alerta o médico Saul Pereira Júnior, responsável por três hospitais de campanha em Criciúma para tratar pacientes suspeitos e infectados pelo coronavírus.

Ele ainda avalia que foi chegado em um ponto X, ao analisar os discursos do presidente Jair Bolsonaro e o contraponto do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés.  “O povo em geral, a maioria, uma classe pouco menos favorecida não tem reserva financeira para muito tempo e vai arriscar. Então a tendência é que os governos façam com que esse risco seja controlado. Algumas atividades serão retomadas para quem está na informalidade tentar se posicionar dentro desses trabalhos abertos, e quem está na informalidade, que ainda não está aberta vai tentar migrar”, analisa a crise econômica surgida no Brasil em decorrência da pandemia mundial.

Ele prevê que em abril irá crescer o número de casos graves, mas talvez os profissionais de saúde já consigam controlar melhor para, então, surgir a tão esperada cura por meio de imunização, provavelmente.

Dados recentes apontam que São Paulo e Nova York perderam o controle, então não servem como parâmetro. “Acho que a Espanha a mesma coisa, além da China no início e Itália, onde tem números assustadores. No Brasil, o trabalho preventivo ocorreu mais cedo e segue critérios internacionais”, garante Saul.