A Drag Queen busca espaço no mercado e se apresenta neste domingo na 6ª Parada da Diversidade em São José. No próximo dia 25, comunidade LGBT promove ato contra o preconceito no centro de Tubarão.

Lysiê Santos
Tubarão

A arte que se desprende da questão de gênero, tema muito discutido na atualidade, dá lugar a um universo cheio de cor, brilho e performance que conquista o público admirador da causa. E foi a arte de ser Drag Queen que transformou a vida da MC Pethyne. Interpretada pelo jovem Renan Alves Ouriques, de 22 anos, de Tubarão, a drag MC tem viajado pelo Estado apresentando suas composições cantadas no estilo funk. Com a turnê Dandarã Tour, o artista performático leva sua mensagem contra o preconceito e expressa seus sentimentos diários por meio de suas composições.

O jovem decidiu enfrentar as barreiras sociais da discriminação e assumir sua verdadeira identidade sem buscar validação ou temer a rejeição. O professor de dança, coreógrafo e bailarino é a primeira Drag negra em Tubarão. Além da performance no palco como cantor, Renan é um apaixonado pela arte da dança. “Danço desde os 9 anos. Aos 14 montei minha primeira turma de dança em Gravatal e dou aula até hoje. A dança é a minha vida”, relata o artista que também pretende seguir a carreira de ator.

Neste domingo, ele participa da 6ª Parada da Diversidade de São José, na orla da Beira Mar. O evento tem o objetivo de discutir, fomentar, vencer preconceitos e promover vida digna à comunidade LGBT. Este ano o tema é “casar e adotar é direito de todos”. Após a mobilização, MC Pethyne fará uma apresentação performática em apoio à causa. “Estou feliz pelas pessoas reconhecerem meu trabalho, mas muitos ainda sofrem preconceito por suas relações homoafetivas”, afirma.

Ato contra o preconceito será promovido em Tubarão
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Renan conta que em Tubarão, seu trabalho tem sido reconhecido e que ainda não foi vítima de discriminação por ser homossexual. No entanto, dezenas de pessoas têm perdido suas vidas ao assumir sua identidade afetiva, como o caso da transexual Jennifer Celia Henrique, de 38 anos, assassinada a pauladas na última sexta-feira em Florianópolis.

Em apoio à causa LGBT e em defesa dos que morreram nos últimos dias, os simpatizantes irão promover um ato público no próximo dia 25, no calçadão, no centro de Tubarão a partir das 9 horas. Vestidos a caráter, com faixas e cartazes, os transexuais irão debater o tema e conscientizar a população na busca pelo respeito às diferenças. “Tubarão tem muitas pessoas que são homossexuais, mas tem medo de assumir e serem discriminados. Não importa com quem a pessoa deseja se relacionar, mas sim o caráter dela. A sociedade precisa respeitar as diferenças e as escolhas de cada um, sem julgamentos”, defende Pethyne.