Tubarão

Crônica, progressiva, incurável. É desta forma, que a maioria dos médicos descreve a endometriose, doença feminina que está ligada à menstruação, mas que acomete de forma sistêmica milhões de mulheres no mundo. Estimativas nacionais apontam que cerca de sete milhões de brasileiras em idade fértil têm a enfermidade, mas a grande maioria sequer sabe disso. 

O diagnóstico quase nunca é precoce: de seis a oito anos é o tempo médio em que se descobre a doença. A repercussão é o prolongamento da dor e o tratamento tardio que pode gerar mais complicações. O motivo? Desconhecimento seja por parte dos profissionais da saúde e também das pacientes. Em março, Mês da Conscientização da Endometriose, especialistas e portadoras buscam dar visibilidade para este sofrimento íntimo, tantas vezes incompreendido.

A endometriose atinge de 5% a 15% das mulheres no período reprodutivo e até 3% a 5% na fase pós-menopausa. A doença é caracterizada pela presença de um tecido semelhante ao endométrio (camada interna funcional do útero) em localização extrauterina, principalmente nos órgãos e estruturas da pelve feminina e as causas ainda são desconhecidas.”A endometriose é uma doença inflamatória que ocorre quando o tecido que reveste o útero (endométrio) se expande para fora dele chegando a lugares onde não deveria crescer. Como, por exemplo, nos ovários e na cavidade abdominal. Esse distúrbio pode surgir a partir da primeira menstruação, e por isso, recomenda-se atenção também às adolescentes”, alerta a médica Maria Cecília Erthal.

A enfermidade pode causar dor na forma de cólica menstrual, dor durante as relações sexuais, dores lombares com irradiação para membros inferiores, dores e alterações dos hábitos intestinal e urinário e levar até a infertilidade. É preciso procurar um profissional qualificado para que seja feita a análise.” A partir do diagnóstico precoce, elas têm opções de tratamento que minimizam os impactos no bem-estar diário e possibilitam a programação de uma futura gravidez com tranquilidade. Em caso de diagnóstico tardio, as trompas, que são responsáveis por conduzir o óvulo ao útero, podem ser comprometidas. Além disso, há alteração nos hormônios e no sistema imunológico dificultando uma gravidez”, afirma o ginecologista e obstetra Paulo Gallo de Sá.

O tratamento pode ser realizado com medicações e, se necessário, cirurgia. Os tratamentos com o uso de diferentes tipos de hormônios, que visam o bloqueio do estímulo hormonal existente sobre as lesões endometrióticas, não são indicados para mulheres que desejam engravidar, pois também têm ação anticoncepcional.