Wagner da Silva
Braço do Norte

Vários empresários de Braço do Norte passam por um dilema em seu cotidiano: abrem muitas vagas de emprego, mas não conseguem ninguém para preenche-las. A falta de mão-de-obra qualificada trava o desenvolvimento das empresas e também do município. Mas esta situação preocupante pode estar com os dias contados.
Antes do recesso de fim de ano, uma comitiva do Instituto Federal Catarinense (IFC) de Sombrio reuniu-se com o prefeito Evanísio Uliano (PP), o Vânio, e representantes da classe empresarial para discutir a instalação de uma unidade do IFC em Braço do norte. E isto poderá tornar-se realidade neste ano. A proposta é disponibilizar, já em março, o curso de gestão de agroindústria, oferecido na unidade do extremo sul do estado.

Segundo diretor geral da IFC, Adalberto Reinke, a condicionante para que isso ocorra é a disponibilização do transporte de professores e a estrutura física – uma área de dez mil metros quadrados. As condições foram aceitas pelo prefeito Vânio. “A aquisição do terreno, assim como os equipamentos, devem ser feita em consórcio entre os municípios do vale, já que todos serão diretamente beneficiados com a IFC”, pondera. Inicialmente, os cursos do IFC serão voltados aos setores de metal-mecânica, informática, corte e costura industrial e carnes e leite.

Presidente da Acivale aposta no instituto

A instalação de uma unidade do Instituto Federal Catarinense (IFC) em Braço do Norte recebeu o incentivo do presidente da Associação Empresarial do vale do Braço do Norte (Acivale), Silvio Bianchini (foto). Ele ao prefeito Evanísio Uliano (PP), o Vânio, que um desafio semelhante foi lançado há dez anos, na primeira vez em que esteve à frente da entidade. Desta vez, porém, as negociações estão mais adiantadas.

Para Bianchini, a ação é uma das mais importantes para o desenvolvimento do município. Especialmente porque a qualificação de mão-de-obra abre possibilidades para atrair novos investimentos. Outra questão importante são os investimentos em tecnologia. “Claro que não resolveremos nossa deficiência de uma vez, mas o planejamento é fundamental. Quanto mais diversificada é a atividade industrial, melhor para a cidade”, analisa.

Entre as prioridades, Bianchini enumera a criação de uma área industrial, o anel viário e os investimentos regionais, como a duplicação da BR-101, o Porto de Imbituba e o Aeroporto Regional Sul em Jaguaruna, como principais alavancas para o crescimento regional. “Temos condições excelentes de nos desenvolver. Apenas precisamos encontrar mecanismos para atrair novas indústrias e empresas”, argumenta.

Silvio também destaca os investimentos do governo na educação como forma de evitar o êxodo das pequenas cidades. Segundo um estudo, 90% dos alunos de escolas técnicas, depois de formados, ficam em um raio de 50 quilômetros da instituição. “É importante fortalecer a região, não só a indústria, como também o comércio. Gerar oportunidade e expandir os segmentos é dar chance aos pequenos municípios de evoluírem. Mas para que isso ocorra, a união das cidades é fundamental”, expõe.